Equipa de Cuidados Domiciliários do Hospital Garcia de Orta melhora resposta a utentes pediátricos

Criada em março de 2020, a Equipa de Cuidados Domiciliários Pediátricos (ECDP) do Hospital Garcia de Orta (HGO) realizou perto de 500 visitas, assistindo cerca de 150 crianças.

Foram mais de 450 horas de cuidados dedicados a crianças e jovens acompanhados no Serviço de Pediatria do HGO e que apresentam necessidades especiais – prematuros ou com doença crónica complexa, limitante ou ameaçadora da vida –, prestando também apoio aos seus cuidadores.

“Este modelo tem permitido a prestação de cuidados diferenciados às crianças e famílias em condições de vulnerabilidade aumentada, num contexto de pandemia complexo e com dificuldades acrescidas para os profissionais de saúde, assegurando a manutenção de cuidados de saúde nestes dois últimos anos”, afirma o presidente do conselho de administração do HGO. Segundo Luís Amaro, “o trabalho desta Equipa tem sido fundamental na melhoria da articulação com os Cuidados de Saúde Primários, proporcionando um maior envolvimento dos agentes promotores da saúde da criança/jovem e família”.

A Equipa de Cuidados Domiciliários Pediátricos do HGO é constituída por um médico e seis enfermeiras especialistas em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica, profissionais dos serviços de Internamento de Pediatria, Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais e Pediátricos e Equipa Intra-Hospitalar de Suporte em Cuidados Paliativos Pediátricos.

Este projeto de apoio domiciliário iniciou-se com recurso a uma viatura disponibilizada pelo Garcia de Orta. Posteriormente, a equipa conseguiu articular-se com a Unidade de Hospitalização Domiciliária do hospital, utilizando a sua viatura, mas com alguns constrangimentos, dado o volume de doentes que esta unidade assiste.

O projeto passou também a contar com a colaboração de parceiros: a Fundação do Gil, com a Unidade Móvel de Apoio Domiciliário (UMAD), com frequência bissemanal, sendo este o parceiro de excelência para manter e expandir a cobertura deste projeto de forma sólida; e a Câmara Municipal de Almada, que, mensalmente, de setembro a fevereiro, disponibiliza uma unidade móvel equipada e com motorista, que permitiu assegurar outros desafios, como a vacinação no domicílio com palivizumab, uma terapêutica específica na prevenção da infeção pelo vírus sincicial respiratório (VSR) em lactentes e crianças.

“Apesar de ser uma área de interesse já identificada no serviço, foi no contexto da chegada da pandemia e a suspensão inesperada de muitas atividades assistenciais que se precipitou o início de atividade da ECDP”, conta João Franco, diretor do Serviço de Pediatria do HGO. Além disso, “outro aspeto importante a considerar foi o facto de, cedo, se ter percebido que a segurança das crianças no que respeita aos cuidados de saúde em tempo de pandemia passava pelo apoio à capacitação da família e recurso ao hospital apenas em situações inadiáveis”, acrescentou.

“A literatura diz-nos que a visitação domiciliária é um elemento fundamental na vigilância e promoção da saúde, em particular nos dias seguintes à alta da maternidade, nas situações de doença prolongada ou crónica e nos casos de crianças, famílias ou situações identificadas como de risco. E naquele contexto de pandemia, a nossa equipa encontrou oportunidade de responder às necessidades das famílias no seu domicílio, salvaguardando a sua segurança, pois a vinda ao hospital era colocar estes meninos em maior risco”, refere Clara Rocha, enfermeira-gestora do Serviço de Pediatria do HGO e responsável do projeto, em parceria com Anselmo Costa, pediatra neonatologista e intensivista pediátrico deste serviço.

Ao longo de quase dois anos, a Equipa de Cuidados Domiciliários Pediátricos do HGO tem dado resposta a crianças, jovens e famílias do concelho de Almada e do Seixal em diferentes situações clínicas. Esta linha assistencial abrange, além de visitas e vacinação, o acompanhamento pós-alta do recém-nascido com validação da capacitação dos pais no domicílio, em articulação com os cuidados de saúde primários; a realização de procedimentos como observação clínica, consulta de enfermagem, administração de terapêutica, colocação de sonda vesical e sonda gástrica, aspiração de secreções, punção venosa, colheita de espécimes para análise (pesquisa de Sars Cov, análises sanguíneas), entre outros; e suporte ao regime terapêutico e apoio no luto. Neste apoio, participam outros profissionais do HGO, como psicólogos (também suportado pela Fundação do Gil), assistente social e dietista.

Tem-se verificado um maior suporte na transição do internamento para o domicílio e apoio no papel parental, reforçando o conhecimento e confiança dos cuidadores. As visitas permitem à equipa clínica conhecer melhor o ambiente físico e psicossocial da criança ou do jovem e suas famílias, facilitando a aproximação ao hospital.

As visitas domiciliárias realizadas em contexto de doença aguda podem traduzir-se numa diminuição dos episódios de urgência, da necessidade de internamento ou redução do número de dias de internamento.

João Franco, diretor do Serviço de Pediatria do HGO, acredita que “este apoio disponibilizado às crianças e famílias possa ser o futuro dos cuidados em Pediatria. A permanência da criança no seio da família e no seu domicílio é, por si só, promotora do desenvolvimento e da sua autonomia”. “Por outro lado, as complicações inerentes a este contexto, comparativamente com um internamento em ambiente hospitalar, são francamente reduzidas”, conclui.

Segundo Clara Rocha, neste modelo de cuidados, as relações entre profissionais do HGO e famílias “ficam mais próximas, tornando esta dinâmica mais gratificante para todas as partes envolvidas”. “Estes cuidados aumentam a segurança no domicílio e atuam na prevenção de complicações dos nossos meninos. O ensino aos cuidadores e a intervenção pedagógica nas escolas tem sido de extrema importância para a qualidade de vida dos nossos meninos.”

PR/HN/RA

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