Ivan França: “O NAEOTOM Alpha representa um salto qualitativo na medicina de precisão”

Ivan França, Diretor Geral da Siemens Healthineers em Portugal

É o arranque de uma nova era na tomografia computorizada. A Siemens Healthineers acaba de apresentar em Portugal o primeiro Photon-Counting CT. Trata-se de uma nova solução de diagnóstico com maior precisão e rapidez. Em entrevista exclusiva ao HealthNews, Ivan França, Diretor Geral da Siemens Healthineers em Portugal, fala num “marco para a história”, pois o NAEOTOM Alpha permite “ver o inimaginável”. “Maior precisão no diagnóstico significa mais saúde e mais qualidade na vida dos doentes”, conclui o responsável. 

Tem profunda experiência de atuação em empresas multinacionais ligadas ao setor da saúde, ocupando atualmente o cargo de Diretor-Geral da Siemens Healthineers em Portugal. Qual o balanço que faz sobre o impacto e contributo da companhia na melhoria e qualidade dos resultados em Saúde?

O nosso papel tem sido fundamental na melhoria e qualidade dos resultados em Saúde. A Siemens Healthineers trabalha principalmente no diagnóstico e isso tem permitido grandes ganhos na promoção de Saúde, com tecnologias que permitem diagnósticos mais precisos, uma intervenção clínica atempada e com isso ganhar mais tempo e salvar vidas. 

Em particular durante a pandemia, fomos chamados a cumprir a missão de ‘atender’ os serviços de saúde e de ajudar o país. Lembro-me que na primeira semana da pandemia instalamos tomógrafos nos grandes hospitais do país, tendo sido fundamental para a realização da TAC do tórax para o diagnóstico de Covid-19. 

A tecnologia e a inovação são dois conceitos prementes da Siemens Healthineers. De que forma a inovação tecnológica pode ser apontado como um recurso crítico para a saúde pública?
A inovação é fundamental. Por um lado, porque a esperança média de vida é cada vez maior (leva a que haja mais doenças crónicas) e, por outro lado, porque em geral a sociedade, todos nós nos envolvemos mais na nossa Saúde, isto é, somos também mais exigentes. Portanto, a tecnologia ajuda a atender mais gente e com mais qualidade. Um diagnóstico sempre que possível mais preciso, permite com que a população viva mais tempo e com melhor qualidade de vida. 

Têm vindo a apostar na introdução de tecnologias à base de inteligência artificial. Qual o papel da IA na melhor precisão do diagnóstico de imagem?

Os algoritmos e o machine learning têm um impacto fundamental na leitura de um grande database de informação para ir ajustando diferentes diagnósticos. Temos lançado diferentes algoritmos que permitem um diagnóstico mais eficaz. Por exemplo, com o último que lançámos para o cancro da mama, o diagnóstico fica 30% mais preciso e mais rápido. 

A Siemens Healthineers tem tido como principal objetivo melhorar a qualidade dos serviços de saúde com um custo cada vez mais sustentável. Quais as estratégias adotadas nos últimos tempos que gostaria de destacar?

Do ponto de vista da sustentabilidade, temos trabalhado em conjunto com os nossos clientes (hospitais, clínicas e laboratórios) com o objetivo de encontrar soluções que sejam sustentáveis do ponto de vista financeiro, clínico e operacional. Para a Siemens Healthineers não faz sentido introduzir uma tecnologia no sistema de saúde se esta não for sustentável em relação a esses três pilares.  

A Siemens Healthineers apresentou este mês, em Portugal, o primeiro tomógrafo do mundo com tecnologia Photon-Counting. Em que medida esta nova tecnologia vem dar resposta a necessidades por satisfazer na área do diagnóstico?

A tecnologia do NAEOTOM Alpha representa um salto qualitativo na medicina de precisão. Os médicos passam a poder ver doenças que antigamente eram difíceis de identificar. No fundo, passamos a poder ver o inimaginável e a ver aquilo que muitos achavam que levaria muitos anos para acontecer, mas que a Siemens Healthineers conseguiu depois de quinze anos de investimento e de muitas patentes. Hoje é um marco para a nossa história. 

Podemos concluir que o NAEOTOM Alpha serve como uma ferramenta de verdadeiro auxílio dos profissionais de saúde?

Sem dúvida. Esta nova tecnologia vai ajudar e apoiar os médicos no diagnóstico, assim como também vai libertar estes profissionais, que têm de realizar inúmeros exames, para que possam refletir sobre os casos mais graves. O médico vai ter mais tempo para poder conversar com o paciente e impactar de forma positiva a sua experiência. 

Quais os países que já estão a utilizar o vosso novo tomógrafo?

Um dos primeiros locais onde o NAEOTOM Alpha foi instalado foi precisamente na Universidade de Augsburg. Tivemos o privilégio de ouvir o Prof. Dr. Florian Schwarz sobre a sua experiência com esta nova tecnologia. Foi demonstrado o impacto a nível de precisão de diagnóstico, nomeadamente em diferentes áreas da cardiologia e oncologia. Acreditamos que num futuro próximo, todos os tomógrafos serão Photon-Counting. 

Acredita que em Portugal veremos a introdução desta nova tecnologia?

Portugal é reconhecido por ser um país pioneiro na adopção de tecnologia de vanguarda, os nossos clientes e parceiros reconhecem a importância de trabalharem com as melhores soluções. Acreditamos que a incorporação do Photon-Counting CT não vai acontecer do dia para a noite, mas vai ser fundamental para melhorar serviço de saúde da população. Maior precisão no diagnóstico significa mais saúde e mais qualidade na vida dos doentes.

Veja o evento aqui

Entrevista de Vaishaly Camões

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