Projeto de vigilância da infeção pelo Vírus Sincicial Respiratório assinala um ano de atividade

A rede VigiRSV criada pela Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) e o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) assinala esta terça-feira um ano de atividade. A iniciativa já presente em 17 hospitais a nível nacional e da qual resultaram inúmeras apresentações à comunidade médica sobre o impacto do Vírus Sincicial Respiratório (VSR).

O projeto surgiu com o objetivo de sensibilizar a população, em especial a comunidade médica, para o impacto do VSR, já que é responsável por cerca de 60% a 80% dos casos de bronquiolite e 40% de pneumonias em idade pediátrica. De acordo com os especialistas, o VSR é das principais causas de hospitalização no primeiro ano de vida.

De acordo com a SPP e o INSA, a iniciativa “tem apresentado um crescimento constante e sustentado, sendo o seu objetivo continuar a expandir-se a nível nacional e, assim, permitir a recolha de dados fidedignos sobre a epidemiologia e o impacto da infeção por este vírus, estando também a ser considerado o seu alargamento a outros grupos etários de modo a ter uma caraterização mais completa da infeção na população portuguesa”.

“Ao longo deste ano foi possível verificar uma grande adesão a esta rede, que se comprova com a sua expansão no que ao número que hospitais diz respeito. Estamos muito orgulhosos por fazer parte deste projeto pioneiro e inovador no nosso país.” Afirma Inês Azevedo, presidente da SPP.

Já Ana Paula Rodrigues, médica de Saúde Pública do Departamento de Epidemiologia do INSA, considera que “esta rede permite a obtenção de dados concretos para uma real caracterização da patologia e do seu impacto na população, permitindo o desenvolvimento de estratégias concretas de abordagem ao VSR e mitigando o seu impacto e a sua incidência. Na componente laboratorial é de salientar que permite complementar o diagnóstico laboratorial com a caraterização genética dos vírus detetados em cada inverno e a integração desta informação com os dados epidemiológicos.”.

Na Europa, a maioria dos países apresenta um registo de casos de VSR associado a uma rede de vigilância já existente, como a da gripe. No entanto, são poucos os países que têm uma rede de vigilância específica e exclusiva para este vírus, caso do Reino Unido e França, podendo Portugal estar entre os pioneiros neste campo.

PR/HN/Vaishaly Camões

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