18/08/2022 | Mundo, Notícias

África CDC aplaude renomeação das variantes do vírus Monkeypox para evitar estigma

O diretor do centro africano de controlo de doenças aplaudiu esta quinta-feira a decisão da Organização Mundial de Saúde (OMS) de renomear as variantes do vírus da varíola dos macacos para remover referências a regiões de África e evitar a estigmatização.

Um grupo de especialistas internacionais convocado pela OMS concordou na semana passada renomear as variantes da varíola dos macacos com algarismos romanos, medida que visa “evitar ofender qualquer grupo cultural, social, nacional, regional, profissional ou étnico e minimizar qualquer impacto negativo no comércio, viagens, turismo ou bem-estar animal”, explicou então a organização.

Os especialistas examinaram a filogenia e a nomenclatura de variantes ou clados (subgrupos do vírus) conhecidos e novos do Monkeypox, vírus que causa a doença varíola dos macacos.

“O consenso foi alcançado para agora se referir ao antigo clado da Bacia do Congo (África Central) como Clado I e ao antigo clado da África Ocidental como Clado II. Além disso, foi acordado que o Clado II consiste em dois subclados”, observou então a OMS.

“Estamos muito satisfeitos por podermos agora chamar-lhes Clado I e Clado II em vez de fazermos referência a estas variantes usando regiões africanas”, disse hoje Ahmed Ogwell, diretor em exercício dos Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana, num ‘briefing’ realizado hoje.

“Estamos mesmo satisfeitos com essa mudança no nome, que vai remover o estigma das variantes que provocam doenças”, acrescentou.

África foi a região do mundo que registou este ano mais mortes por varíola dos macacos.

O continente registou 3.232 casos da doença, dos quais 105 resultaram na morte do paciente, embora apenas uma pequena parte tenha sido confirmada por falta de recursos para realizar o diagnóstico.

O Gana e a Nigéria, na África Ocidental, registaram 90% dos novos casos da doença, que foi também registada na Libéria, República do Congo e África do Sul.

No seu ‘briefing’ de hoje, Ogwell apelou à comunidade internacional para que ajude África a melhorar a sua capacidade de diagnóstico do vírus monkeypox e a controlar a sua disseminação.

E acrescentou que, enquanto no resto do mundo 98% dos casos ocorrem em homens que têm relações sexuais com outros homens, o que se passa no continente africano “não reflete o que se passa noutras partes do mundo”.

A varíola dos macacos foi identificada pela primeira vez em humanos em 1970 na República Democrática do Congo, depois de o vírus ter sido detetado em 1958 no seguimento de dois surtos de uma doença semelhante à varíola que ocorreram em colónias de macacos mantidos em cativeiro para investigação – daí o nome “Monkeypox” (“monkey” significa macaco e “pox” varíola).

A maioria das pessoas infetadas recupera sem tratamento, mas pode causar sintomas mais graves como inflamação cerebral e, em casos raros, a morte.

A variante que está a surgir na Europa e na América do Norte tem uma taxa de letalidade mais baixa do que a que circula em África, onde as pessoas têm sido maioritariamente infetadas após contacto com animais infetados como roedores e esquilos.

LUSA/HN

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