Atrasada vacinação contra a meningite a 50 milhões de crianças em África

8 de Setembro 2022

A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou que a covid-19 atrasou a vacinação contra a meningite a mais de 50 milhões de crianças em África, pondo em risco a sua eliminação e expondo a população a um novo surto.

Para o evitar, a OMS e os seus parceiros lançaram um roteiro destinado a pôr termo aos surtos de meningite bacteriana até 2030, instando os países a implementá-lo rapidamente antes do início da época da meningite, em janeiro de 2023.

Embora não tenham sido notificados casos de meningite de tipo A em África nos últimos cinco anos, ainda ocorrem surtos e são causados por outros tipos de bactérias meningocócicas.

Em 2019, 140.552 pessoas na região africana morreram devido aos vários tipos de meningite e desde 2013 foram relatados grandes surtos causados por meningite tipo C em sete países.

Em 2021, um surto de quatro meses na República Democrática do Congo custou 205 vidas. Além disso, a região africana é responsável pelo maior número de novos casos de meningite a nível mundial e é a única região que ainda sofre surtos. O continente relata 100 casos de meningite por 100.000 habitantes, a maior incidência no mundo.

De acordo com relatórios nacionais, a OMS constatou que, em 2020, as atividades de controlo da meningite foram reduzidas em 50%, em comparação com 2019, com uma ligeira melhoria em 2021.

Benim, Guiné, Guiné-Bissau, Nigéria e Togo atrasaram as campanhas MenAfriVac destinadas a proteger um total de 50 milhões de crianças menores de 12 anos contra a meningite de tipo A.

Historicamente, a meningite de tipo A foi a principal causa de surtos de meningite em África. Em 2010, contudo, África começou a combater a meningite tipo A quando uma vacina eficaz – a ‘MenAfriVac’ – foi desenvolvida e implementada.

A vacina foi desenvolvida em resposta a um pedido dos ministros da Saúde africanos, após um surto de meningite de tipo A em 1996 que infetou mais de 250.000 pessoas e matou mais de 25.000 em apenas alguns meses.

Com o apoio da OMS e dos seus parceiros, mais de 350 milhões de pessoas em 24 países africanos de alto risco receberam esta vacina desde 2010.

“A campanha para eliminar este tipo de meningite tem sido imensamente bem-sucedida”, segundo a declaração da OMS.

Embora a meningite de tipo A tenha representado 90% dos casos e mortes antes de 2010, não foram comunicados novos casos desde 2017. O controlo desta forma letal de meningite levou a menos mortes por meningite do tipo A e de outros tipos de microrganismos. Enquanto 50% das pessoas com meningite morreram em 2004, 95% dos casos sobreviveram em 2021.

“Derrotar a meningite de tipo A é uma das maiores histórias de sucesso na saúde em África, mas as consequências da covid-19 dificultam o nosso esforço para eliminar de uma vez por todas esta infeção bacteriana que é uma ameaça para a saúde pública e pode levar a ressurgências catastróficas”, disse a diretora regional da OMS para África, Matshidiso Moeti.

“Ao dar prioridade à resposta à covid-19, não devemos perder o foco sobre outros problemas de saúde. Exorto os países a acelerar a implementação do novo roteiro regional da OMS agora, antes do início da época da meningite, em janeiro de 2023”, acrescentou.

LUSA/HN

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