Um em cada quatro doentes de crohn sentiram grande impacto da pandemia na gestão da doença

Um em cada quatro doentes de crohn inquiridos num estudo da Associação Portuguesa da Doença Inflamatória do Intestino sentiram grande impacto da pandemia na gestão da doença, que, nalguns casos, implica faltar, em média, quatro dias/mês ao trabalho

Os resultados do inquérito, que vão ser hoje apresentados no 6.º congresso da Associação Portuguesa da Doença Inflamatória do Intestino (APDI), que decorre em Lisboa, indicam também que mais de 30% dos doentes de crohn reportou níveis de elevado impacto da doença na vertente pessoal e 17% na vertente social, levando muitos a abdicarem de participar em diversas atividades e, algumas vezes, ao isolamento.

Apesar de a maioria ter indicado que a doença não foi motivo de falta (ao trabalho ou à escola) nos últimos seis meses, para muitos a doença implica faltar ao trabalho, em média, quatro dias por mês.

Em termos profissionais, foram ainda reportados sentimentos negativos relacionados com os níveis de produtividade e presença no trabalho, com um em cada 10 a dizer que o preocupa que possa perder o emprego.

O estudo pretendeu analisar a qualidade de vida dos doentes de crohn e o impacto da pandemia de covid-19 na gestão da doença, tendo concluído que esta teve um impacto muito grande, sendo que em quase metade teve sobretudo efeitos ao nível da dificuldade de agendamento ou desmarcação de consultas pelo hospital.

Um em cada cinco doentes (19%) sentiu agravamento dos sintomas durante a pandemia, sobretudo fadiga (72%), dor abdominal (69%) e dor nas articulações (53%) e apontam como razões o aumento do stresse, ansiedade, medo/receio provocados pelo contexto da pandemia (50%), falta ou dificuldade de acesso às consultas de acompanhamento (25%) e de acesso à terapêutica (8%).

O facto de estarem mais tempo em casa, assim como um melhor controlo da alimentação, foram alguns dos sintomas apontados por quem disse ter sentido uma melhoria nos sintomas da doença.

Contudo, a maioria (63%) dos doentes de crohn inquiridos não reportou qualquer alteração se sintomas.

Quanto à assistência na doença, 11% sente necessidade de consultar o médico devido a crises relacionadas com a Doença de Crohn entre uma a quatro vezes por mês.

Dizem ainda que o médico que os acompanha “dá muita importância” à sua doença, e, na sua maioria, sentem-se bem informados.

A doença de crohn é uma inflamação crónica que pode afetar qualquer segmento do tubo digestivo. Compromete mais frequentemente o intestino delgado no seu segmento terminal. Os sintomas mais comuns são diarreia, dor abdominal e perda de peso, mas também podem ocorre outros, não relacionados com o aparelho digestivo, como dores nas articulações e lesões de pele.

NR/HN/LUSA

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