Hospital da Feira acompanha 450 sobreviventes de AVC por ano e tendência é para aumentar

25 de Outubro 2022

O Hospital São Sebastião, em Santa Maria da Feira, revelou hoje que o serviço multidisciplinar com que acompanha sobreviventes de Acidente Vascular Cerebral (AVC) tem atendido 450 pessoas por ano na última década, com uma “notória evidência de crescimento”.

Os dados são da administração do Centro Hospitalar do Entre Douro e Vouga (CHEDV), que gere a referida unidade da Feira e também os hospitais de Oliveira de Azeméis e São João da Madeira, num universo global de aproximadamente 350.000 utentes desses e de outros concelhos da zona norte do distrito de Aveiro.

Realçando que o AVC “representa a principal causa de morte e de incapacidade em Portugal, tendo um impacto humano de enorme magnitude e consequências económicas muito elevadas”, fonte oficial do centro hospitalar faz à Lusa o balanço da atividade da Consulta de Doenças Vasculares Cerebrais, que hoje assinala uma década de atividade.

“No total destes 10 anos, estimamos que tenham sido realizadas mais de 6000 consultas a doentes com AVC. São observados cerca de 450 doentes por ano, com uma notória evidência de crescimento anual”, revela.

A equipa responsável pela Consulta de Doenças Vasculares Cerebrais é multidisciplinar e envolve dezenas de profissionais, sendo constituída por cinco médicos e quatro enfermeiros.

Na mesma deslocação ao hospital, o sobrevivente de AVC recebe “uma avaliação por Enfermagem de Reabilitação, consulta de Neurologia e consulta de Medicina Física e Reabilitação”. Cada doente “é avaliado de uma forma global e completa, incluindo desde a investigação etiológica do AVC e o tratamento – com medidas de prevenção secundária e estratégias de mudança de hábitos e estilos de vida – até à reabilitação pós-AVC”, refere.

Em termos de Medicina Física e de Reabilitação, o primeiro contacto com o utente é realizado nas primeiras 48 a 72 horas após o AVC e “a grande maioria dos doentes inicia logo nesta fase um plano precoce de reabilitação individual, que é assim potenciador de melhor prognóstico clínico-funcional”.

Os cuidadores do sobrevivente são sempre incluídos no processo: “A discussão de todos estes aspetos é privilegiada com o doente e a sua família, numa atitude de partilha de informação e decisão de consenso”, disse a fonte.

Quanto à tendência para mais casos de AVC em cada ano, o CHEDV identifica-a com base nos registos mais recentes. Em 2020, por exemplo, o Hospital da Feira atendeu 580 doentes, mas em 2021 o número aumentou para 643.

Nesse universo de utentes, a diferença entre homens e mulheres vai-se esbatendo, com eles a representarem 52% dos atendimentos e elas 48%.

O internamento hospitalar “tem uma mediana de sete dias”, período após o qual 70% dos doentes têm alta para regressar a casa e 25% são encaminhados para unidades de reabilitação especializada.

Seja o sobrevivente conduzido para o domicílio ou para estabelecimento médico, à data da alta recebe sempre um relatório clínico-funcional que indica, por exemplo, “sequelas que persistem ao nível motor, cognitivo, de linguagem e deglutição, assim como distúrbios da perceção visual-espacial, alterações vesico-esfincterianas e do tónus”. Alguns utentes podem, por isso, ser “referenciados para outras consultas, como as de Disfagia, Reeducação do Pavimento Pélvico e Toxina Botulínica”.

Para a equipa envolvida na Consulta de Doenças Vasculares Cerebrais, os níveis de recuperação e a qualidade da mesma têm sido positivos, permitindo à fonte da administração do hospital garantir: “É com muita satisfação que os serviços de Neurologia e de Medicina Física e Reabilitação do CHEDV celebram os 10 anos da Consulta de Doenças Vasculares Cerebrais, que deixa todos os profissionais que nela participam plenos de orgulho. Seguimos confiantes e cientes das vidas que mudámos, que continuamos a mudar agora e que mudaremos no futuro, num verdadeiro espírito de equipa e coesão”.

LUSA/HN

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