Imigrantes revelam indicadores do estado de saúde mais favoráveis do que os portugueses

20 de Dezembro 2022

Em Portugal os imigrantes revelam indicadores do estado de saúde mais favoráveis do que os naturais portugueses, revela o Relatório Estatístico Anual de 2022 do Observatório das Migrações.

De acordo com os resultados do estudo, na vertente da relação entre saúde e imigração, de uma forma geral, em Portugal os imigrantes revelam indicadores do estado de saúde mais favoráveis do que os naturais portugueses, com uma maior prevalência de respondentes a classificarem o seu estado de saúde como bom ou muito bom (63% dos respondentes nascidos no estrangeiro versus 50% nos nativos portugueses em 2020, e 57,7% dos imigrantes versus 49,5% dos nativos em 2021, ou seja, os imigrantes a reportarem mais 13,1pp de boa saúde).

Têm também menos limitações nas atividades diárias devido a problemas de saúde e menor proporção de benefícios de proteção social por razões de doença, além de uma menor prevalência de doenças crónicas.

“Considerando os dados dos últimos três anos, observa-se uma tendência de grande crescimento dos utentes estrangeiros inscritos no SNS (de 600.212 em 2019, aumentam para 685.619 em 2020 e 804.279 em 2021), sendo evidente que esse universo excede o número de estrangeiros com título de residência válido em Portugal (em 2019 contabilizavam-se 102 utentes estrangeiros inscritos no SNS por cada 100 residentes estrangeiros no país, subindo essa proporção para 104 em 2020 e 115 em 2021)”, revela o estudo.

Segundo a mesma fonte, em 2020, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) integrava 1.256 médicos de nacionalidade estrangeira, 635 enfermeiros de nacionalidade estrangeira, 1.071 assistentes operacionais estrangeiros, e 266 recursos humanos estrangeiros em outras profissões do Ministério da Saúde.

Na última década, observou-se “uma diminuição de enfermeiros de nacionalidade estrangeira inseridos no SNS”. Eram 1.054 em 2006, passando para cerca de metade uma década depois.

Um em cada cinco estrangeiros a residir em Portugal vive em alojamentos sobrelotados, mais do que no ano anterior, revela o Relatório Estatístico Anual de 2022 do Observatório das Migrações.

O resultado coloca Portugal em 13.º lugar nos países na União Europeia que registam as maiores distâncias entre nacionais e estrangeiros neste domínio.

Segundo o relatório, a taxa de estrangeiros a residir em Portugal em alojamentos sobrelotados situou-se em 20,3% em 2021, mais um ponto percentual do que no ano anterior.

“A situação da habitação da população num país tem inerentes inúmeros fatores estruturais, nomeadamente associados ao próprio ordenamento do território, à regulamentação do mercado da habitação, a políticas de apoio social e de realojamento, e à situação social e económica do país”, refere a autora do trabalho hoje lançado, Catarina Reis Oliveira, diretora do Observatório.

LUSA/HN

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