Bastonária da Ordem dos Nutricionistas defende que cabaz essencial é saudável e diversificado

28 de Março 2023

A bastonária da Ordem dos Nutricionistas defendeu hoje que o cabaz de bens essenciais com uma taxa de IVA de 0% deve ser diversificado e assegurar uma alimentação saudável, atendendo às “necessidades da globalidade da população”.

“Esse cabaz, do nosso ponto de vista, deveria ser saudável, com produtos que respeitassem a nossa tradição e, se possível, produtos nacionais”, afirmou Alexandra Bento.

Em declarações à agência Lusa, a bastonária explicou que foi isso mesmo que a Ordem dos Nutricionistas transmitiu ao Ministério da Saúde a propósito do cabaz de produtos alimentares considerados essenciais que beneficiarão de uma taxa de IVA de 0%.

No parecer enviado ao Governo, a Ordem defendeu um cabaz diversificado, que respeite a roda dos alimentos, assegurando que cada um dos sete grupos está representado.

A lista final ainda não é conhecida, mas poderá incluir alimentos como hortícolas, massa, arroz, leite meio gordo, iogurtes, queijo, pão, frutas, ovos, azeite e alguns tipos de peixe e carne.

“Temos vindo a ouvir que, efetivamente, há um conjunto de alimentos de cada grupo [da roda dos alimentos]”, sublinhou a bastonária, acrescentando que “a serem esses, estamos satisfeitos”.

Questionada se seria importante incluir outros alimentos, como massas e arroz integrais ou laticínios magros, Alexandra Bento admitiu que o ideal seria abranger todos os bens alimentares saudáveis, mas não é possível.

“Teve que haver um exercício intelectual, rigoroso, tecnicamente aceitável e sério. Qualquer um percebe que não poderiam ser todos e, a não poderem ser todos, têm que ser aqueles que atendem às necessidades da globalidade da população e não a faixas específicas”, explicou.

A ausência de outras opções não é problemática, assegurou, insistindo que, a confirmar-se a lista que tem vindo a ser avançada na comunicação social, “é um cabaz de alimentos saudáveis que atendem às necessidades da população em geral”.

É com o mesmo argumento que responde quando questionada sobre a possibilidade de incluir, por exemplo, refeições pré-preparadas, como sopas ou saladas.

“Posso achar que é muito interessante ter refeições pré-preparadas para quem tem uma vida mais agitada e tem menos tempo, coisa diferente é dizer que esses produtos devem estar incluídos num cabaz de alimentos essenciais”, afirmou.

Alexandra Bento sublinhou ainda que a implementação da taxa de IVA de 0% num conjunto de bens é “um esforço coletivo” e uma “medida excecional”, pelo que o compromisso deve ir no sentido de definir “os alimentos básicos para que todos possamos ter uma alimentação saudável”.

LUSA/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Cuidados continuados integrados: o desafio da fragmentação em Portugal

A prestação de cuidados continuados em Portugal caracteriza-se pela fragmentação entre serviços de saúde e sociais, criando lacunas na assistência a idosos e pessoas com dependência. A falta de coordenação entre os diferentes níveis de cuidados resulta em transições inadequadas e sobrecarga para as famílias

Cuidados Paliativos em Portugal: Cobertura Insuficiente para uma População que Envelhece

Portugal enfrenta uma lacuna crítica nos cuidados paliativos. Com uma população envelhecida e uma vaga de doenças crónicas, milhares terminam a vida em sofrimento, sem acesso a apoio especializado. A cobertura é um retalho, o interior é um deserto de cuidados e as famílias carregam sozinhas o peso de um fim de vida sem dignidade

O Paradoxo Português: Mais Médicos Não Significa Melhor Saúde

Portugal supera a média da OCDE em número de médicos, uma vantagem que esconde uma fragilidade crítica. A escassez persistente de enfermeiros compromete a eficácia dos cuidados, sobrecarrega o sistema e expõe um desequilíbrio perigoso na equipa de saúde nacional

Prescrição segura em Portugal: antibióticos e opioides ainda acima das melhores práticas internacionais

Portugal mantém níveis de prescrição de antibióticos nos cuidados primários superiores à média da OCDE, um padrão partilhado com outros países do sul da Europa. Este uso excessivo, aliado a uma tendência crescente para opioides, alerta para riscos de resistência antimicrobiana e dependência, exigindo uma estratégia nacional concertada para mudar práticas clínicas e culturais profundamente enraizadas

Prevenção em Saúde: A Cura que Portugal Ignora

Apenas 3% da despesa em saúde em Portugal é canalizada para a prevenção. Este investimento residual, estagnado há uma década, condena o sistema nacional a um ciclo vicioso de tratamentos caros e reativos. Enquanto isso, países como a Finlândia e o Canadá demonstram que priorizar a prevenção é a estratégia mais inteligente e económica para travar o tsunami das doenças crónicas

Inovação em Saúde Portuguesa: O Labirinto Burocrático que Prende o Futuro

O relatório “Health at a Glance 2025” da OCDE expõe uma contradição gritante em Portugal: apesar de uma investigação robusta e profissionais qualificados, a inovação em saúde enfrenta anos de entraves burocráticos, deixando os doentes à espera de terapias já disponíveis noutros países e travando a modernização do SNS

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights