“Que Sistema Local de Saúde?”: planos comunitários, integração de cuidados e bem-estar

19 de Abril 2023

As Conversas em Rede da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar (APDH) focaram-se ontem nas estratégias para o bem-estar da comunidade, num debate em torno da seguinte questão: “Que Sistema Local de Saúde?”.

O Plano Local de Saúde “é um plano comunitário”, implicando “uma coletividade de instituições a decidir coletivamente o que é que se faz”, explicou Miguel Cabral, médico assistente de Saúde Pública e gestor do Plano Local de Saúde Maia/Valongo, que abordou também os desafios geográficos e de envolver diferentes instituições, sublinhando a importância da organização cautelosa do território.

“As ULS só por si não são sinónimo de integração de cuidados”, embora possam ser “condição facilitadora”, disse Adelaide Belo, assistente graduada sénior de Medicina Interna da ULS Litoral Alentejano, para quem – em concordância com os restantes oradores – é cada vez mais importante falar de bem-estar, de promoção da saúde. Afinal, “a felicidade também traz saúde”, como referiu Miguel Cabral. No Literal Alentejano, estão a trabalhar na jornada transversal/horizontal do doente, começando pela insuficiência cardíaca; implementaram o Programa de Gestão de Caso e estão a fazer formação em integração de cuidados.

A norte, a Maia tem assumido os processos de descentralização de competências, “apesar da complexidade e de algumas lacunas nos processos”, disse o assessor da vice-presidente da Câmara Municipal. “Nós, em Portugal, temos uma excelente legislação”, “mas depois falta-nos a concretização”, referiu ainda Paulo Gonçalves. Na Maia, quer-se “criar condições para promover a saúde”, prevenindo a doença, garantiu.

O Parque de Saúde e Bem-Estar da Maia é uma oportunidade para “pensar diferente”. Será uma nova organização do centro de saúde em que o digital entra logo no desenho da estrutura. “A própria arquitetura do novo edifício já pensa no digital”, esclareceu Teresa Magalhães, professora auxiliar convidada da Escola Nacional de Saúde Pública da NOVA.

“Se nós queremos fazer isto para as pessoas, temos que ter a humildade suficiente para trabalhar todos juntos”, frisou Ana Escoval, administradora hospitalar e vogal da APDH. “O que recomendaria em tudo isto: vamos experimentar, experienciar, algumas experiências piloto, ver o que é que já está no terreno, tirar disso as leituras necessárias e suficientes, para podermos todos aprender e fazer melhor”, concluiu.

O debate foi moderado por Marina Caldas, da FDC Consulting.

HN/RA

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