Sindicatos de Vila Real alertam para indefinição no centro hospitalar

15 de Maio 2023

A União dos Sindicatos de Vila Real alertou hoje para a escassez e envelhecimento dos médicos e para a indefinição no centro hospitalar, sem nomeação da administração, apelando à participação na marcha que decorre sábado, no Porto.

“Os transmontanos e durienses têm fortes razões para participar na marcha pelo direito à saúde que vai acontecer no sábado, junto ao Hospital de São João no Porto”, disse hoje, em comunicado a estrutura sindical afeta à CGTP.

Utentes e profissionais de saúde vão marchar no sábado em Lisboa, Porto e Coimbra contra a “degradação do Serviço Nacional de Saúde” (SNS), exigindo mais investimento e condições trabalho dignas.

A União dos Sindicatos de Vila Real concretizou que, na região, os serviços de saúde “são escassos” e “faltam profissionais de saúde”, quer “em termos dos cuidados primários de saúde quer em termos dos cuidados hospitalares”.

Disse ainda que os “quadros médicos dos cuidados primários de saúde estão perigosamente envelhecidos”, exemplificando com o Agrupamento dos Centros de Saúde do Alto Tâmega e Barroso, onde 27 dos 64 médicos têm mais de 60 anos.

Apontou também ao Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), que tem “um conselho de administração reduzido a três elementos há mais de oito meses e que, desde essa altura, está sem direção clínica”.

A administração do CHTMAD, que agrega os hospitais de Chaves e Lamego e a unidade de cuidados paliativos em Vila Pouca de Aguiar, terminou o mandato já em dezembro de 2021 e, no início deste ano, a presidente do órgão, Rita Castanheira, pediu a renúncia do cargo que ocupava desde julho de 2019.

Na última informação prestada sobre o assunto, no final de abril, o Ministério da Saúde reiterou que o “processo de nomeação dos órgãos de gestão do CHTMAD está em curso e segue os trâmites previstos na legislação aplicável”.

“Como podem tardar medidas para fixar os profissionais de saúde, que cada vez mais tendem em sair para o setor privado ou para fora da região?”, questionou ainda a estrutura sindical.

A união dos sindicatos apontou ainda ao “período especialmente delicado” do Serviço Nacional de saúde (SNS), “em que o Governo, em vez de investir no que é tão necessário, se lança na implementação de unidades locais de saúde (ULS), sem ouvir os profissionais, sem um estudo aprofundado sobre os resultados das ULS que já existem, sem atender ao facto de que pode estar a lançar um descontentamento adicional crescente entre os profissionais”.

A direção executiva do SNS anunciou em abril que as regiões Norte e Lisboa e Vale do Tejo vão ter mais sete novas ULS, passando a totalizar 27 no país que assegurarão respostas em saúde a mais de metade da população.

Acrescentou, na altura, que estavam “em fase adiantada de elaboração os planos de negócios de 12 ULS”.

A “Marcha pelo Direito à Saúde” é organizada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses — Intersindical Nacional (CGTP-IN), Federação Dos Sindicatos Da Função Pública (FNSTFPS), Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional (STAL), Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica (STSS), Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP).

LUSA/HN

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