Ana Paula Martins: Santa Maria teve de limitar a entrada de doentes transportados em ambulância

3 de Outubro 2023

Na apresentação dos resultados do Stada Health Report 2023, esta terça-feira, Ana Paula Martins, Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, partilhou com preocupação que a Urgência do Santa Maria “de ontem para hoje tem mais 250 pessoas em circulação” e que o hospital teve de limitar a entrada dos doentes transportados em ambulâncias.

“É absolutamente insustentável continuarmos a pensar que vamos conseguir responder àquilo que são os desafios da saúde e do envelhecimento, da longevidade, à custa de um sistema que privilegia (isto é dito há muitos anos) a urgência e a emergência em função do tratamento da doença complexa, crónica, em articulação e com processos assistenciais integrados com a Medicina Geral e Familiar”, frisou Ana Paula Martins.

Ana Paula Martins contou que de ontem para hoje “até o Hospital de Santa Maria” teve de limitar a entrada de doentes transportados em ambulância para o recinto do hospital, “porque o Hospital Fernando da Fonseca, o Hospital Garcia de Orta, Beatriz Ângelo, tudo o que está na chamada coroa da Área Metropolitana de Lisboa, há um momento em que fecha porque já não consegue receber doentes”.

“Eu não sei se é através das Unidades Locais de Saúde”, “se é esta a solução ou se é outra”, disse Ana Paula Martins. “Há uma coisa que eu sei, que nós vamos ter que fazer alguma coisa, e temos que ter coragem para tomar algumas decisões e colocar (…) o financiamento (…) no sítio onde temos que o colocar para que ele transforme e possa responder às pessoas”, acrescentou.

Para Ana Paula Martins, é muito importante que a Medicina Geral e Familiar, “seja com este modelo ou com outro”, “tenha a disponibilidade para fazermos esta conversa para o futuro, em nome das pessoas”.

No debate “Saúde geral e preventiva – descentralizar e envolver o cidadão”, no Templo da Poesia, em Oeiras, a Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte destacou o interesse e a disponibilidade dos portugueses para apostar numa saúde preventiva, que o relatório Stada evidencia. Setenta e três por cento dos portugueses aumentaram os cuidados preventivos (74% das pessoas entre os 18-34 anos adotaram medidas para um estilo de vida mais saudável, e o mesmo aconteceu com 71% acima dos 65 anos) e, em Portugal, existe um interesse pela saúde acima da média global (dos 16 países estudados) – 81% dos portugueses afirmam que pretendem manter-se atualizados sobre os temas de saúde, sendo a média global de 61%.

As “estruturas mais centralizadas”, na perspetiva de Ana Paula Martins, “não têm valorizado (…) aquilo que é esta vontade que o cidadão tem de fazer parte desta mudança”.

Ana Paula Martins afirmou que “está na hora de deixarmos de ser tão complacentes com os resultados, que são sempre os mesmos há muitos anos”, e que sabemos há muitos anos que temos de investir na literacia e que as estruturas de proximidade são muito relevantes.

“Nós sabemos o que temos para fazer. É preciso que nos alinhemos e trabalhemos em conjunto”, concluiu.

O relatório Stada abrangeu 32 mil pessoas de 16 países.

HN/RA

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