Pizarro diz que que antes das eleições não faz sentido negociar horário laboral dos médicos

24 de Novembro 2023

O ministro da Saúde considerou esta sexta-feira que não faz sentido negociar propostas relativas ao horário laboral dos médicos, já que haverá eleições legislativas em março.

“Nós consideramos que, neste momento, havendo eleições antecipadas marcadas para o mês de março faz pouco sentido que seja o atual governo a assumir um compromisso que depois no futuro pode criar mais dificuldade ao funcionamento do Serviço Nacional de Saúde [SNS]”,disse Manuel Pizarro, em declarações aos jornalistas, no final da inauguração Centro de Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica de Alta Resolutividade, do Hospital Arcebispo João Crisóstomo (HAJC),em Cantanhede.

Este tema foi deixado de parte nas negociações com os sindicatos médicos devido à atual crise política.

“Nós aceitaríamos esse princípio [redução da carga horária] faseadamente, porque estaríamos num governo de legislatura capaz de promover a reorganização do SNS que fizesse com que essa redução da carga horária médica, não se acompanhasse por redução da capacidade de atendimento aos portugueses. Nesta circunstância parece-nos que não faz sentido ser o atual Governo a fazer esse acordo”, reafirmou.

Os sindicatos dos médicos e o Governo não chegaram a acordo na reunião de quinta-feira, e voltam a reunir-se na terça-feira, véspera da votação final do Orçamento do Estado para 2024.

As negociações decorrem há 19 meses, com a Federação Nacional dos Médicos (Fnam) a exigir aumentos de 30% e um horário de 35 horas semanais, as 12 horas de serviço de urgência e a atualização do salário base que reponha o poder de compra para os níveis anteriores à ‘troika’ para todos os médicos.

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) levou à reunião de quinta-feira e uma proposta de aumentos de 15%, uma cedência face aos 30% anteriormente exigidos.

O Ministério da Saúde apresentou, na quinta-feira, uma nova proposta de um aumento salarial diferenciado de 12,7% para os médicos em início de carreira, acima de 11% para os assistentes graduados e de 9,6% para os médicos no topo da carreira.

Antes da visita ao Hospital de Cantanhede, o ministro foi interpelado pelo coordenador regional do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) de Coimbra, Paulo Anacleto, que pediu para reunir urgentemente até dia 04 de dezembro, para discutir vários assuntos como por exemplo, os problemas no sistema de atribuição de pontos ou com a vinculação de precários.

Caso não seja agendada nenhuma reunião, Paulo Anacleto referiu que vão recorrer ao primeiro-ministro.

O governante recordou que, em novembro de 2022, houve um acordo entre o Governo e sete dos oito sindicatos de enfermagem.

“Esse acordo permitiu que mais de 18.500 enfermeiros já tenham visto reclassificada a sua posição profissional, com aumento da remuneração e com pagamento desse aumento com retroativos a janeiro de 2022”, frisou.

Manuel Pizarro admitiu que há problemas por resolver nesse sistema da contagem de pontos, acrescentando que o Governo está a apoiar as administrações hospitalares na contabilização justa dos pontos para que todos os enfermeiros tenham essa oportunidade de requalificação profissional.

LUSA/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Doentes urgentes esperam hoje mais de 14 horas no Amadora-Sintra

Os doentes classificados como urgentes que procuram o Hospital Prof. Doutor Fernando da Fonseca, em Amadora-Sintra, enfrentam atualmente tempos de espera superiores a 14 horas para a primeira observação médica, de acordo com dados do portal do SNS consultados esta manhã. 

O relatório OCDE e o resto: o que os números da saúde não mostram

Praticamente toda a população portuguesa tem cobertura para um conjunto central de serviços de saúde, atingindo a universalidade. Contudo, apenas 58% dos cidadãos dizem estar satisfeitos com a disponibilidade de cuidados de qualidade, um valor que fica abaixo da média dos países mais desenvolvidos

Prevenção em Contraciclo: Os Dois Rostos da Qualidade da Saúde em Portugal

O relatório “Health in a Glance 2025” da OCDE revela um sistema de saúde português com contrastes. Enquanto a adesão ao rastreio do cancro da mama, com 55,5%, fica aquém da média da OCDE, a prescrição de antibióticos mantém-se elevada, sublinhando desafios antigos na prevenção de doenças e no uso prudente de medicamentos

Assimetrias Regionais em Saúde Desenham Dois Países Diferentes Dentro de Portugal

Um retrato detalhado do sistema de saúde português revela um país cindido por assimetrias regionais profundas. Enquanto o litoral concentra hospitais e especialistas, o interior enfrenta desertificação médica, acessos limitados e piores resultados de saúde, desde uma menor esperança de vida a uma maior mortalidade prematura. As políticas públicas existentes são apontadas como insuficientes para travar este fosso, que espelha desigualdades socioeconómicas

Disparidades de género na saúde: Homens morrem mais cedo, mulheres vivem mais anos doentes

Em Portugal, como no resto da OCDE, os homens vivem em média menos 5,8 anos do que as mulheres, mas o paradoxo de género revela-se nos detalhes: elas passam uma proporção significativamente maior da sua vida em pior estado de saúde. Esta dupla realidade, com os homens a morrerem mais cedo de causas externas e doenças cardiovasculares e as mulheres a carregarem um fardo pesado de doenças crónicas e incapacitantes, desafia os sistemas de saúde a desenvolverem respostas mais direcionadas

Saúde dos Profissionais de Saúde: O Elo Mais Fraco do Sistema em Portugal

O relatório da OCDE revela uma crise silenciosa a minar o SNS: o esgotamento extremo dos seus profissionais. Com 47% dos médicos e 52% dos enfermeiros com burnout, Portugal destaca-se negativamente na Europa. Este não é apenas um problema de bem-estar individual, mas uma ameaça direta à qualidade e segurança dos cuidados de saúde prestados à população

Relatórios internacionais alertam para dupla desigualdade na saúde: entre géneros e entre ricos e pobres

Portugal observa uma transformação subtil na forma como encara a população mais velha. Para lá dos números, ganham corpo iniciativas que procuram responder ao desafio do isolamento e da inatividade, envolvendo autarquias, instituições de solidariedade e os próprios idosos na construção de respostas que vão do exercício físico ao apoio comunitário. Um movimento que tenta, devagar, mudar uma cultura

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights