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Artigo acessível apenas a profissionais de saúde.

António Alvim
Presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Família Independentes-APMF
O diretor-executivo do SNS, Álvaro Almeida, afirmou que o serviço é excessivamente focado nos hospitais. A declaração marcou um debate sobre modelos de gestão e competências de enfermagem, com visões distintas sobre centralização
O Governo vai avançar com uma nova Lei Orgânica para o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) até ao final de janeiro de 2026, anunciou este domingo o Ministério da Saúde.
A prestação de cuidados continuados em Portugal caracteriza-se pela fragmentação entre serviços de saúde e sociais, criando lacunas na assistência a idosos e pessoas com dependência. A falta de coordenação entre os diferentes níveis de cuidados resulta em transições inadequadas e sobrecarga para as famílias
Portugal enfrenta uma lacuna crítica nos cuidados paliativos. Com uma população envelhecida e uma vaga de doenças crónicas, milhares terminam a vida em sofrimento, sem acesso a apoio especializado. A cobertura é um retalho, o interior é um deserto de cuidados e as famílias carregam sozinhas o peso de um fim de vida sem dignidade
Portugal brilha no panorama europeu com uma das mais baixas taxas de necessidades de cuidados de saúde não satisfeitas (2,5%). Este feito, porém, esconde assimetrias regionais e pressões internas que desafiam a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde e a equidade no acesso a que todos têm direito
Portugal supera a média da OCDE em número de médicos, uma vantagem que esconde uma fragilidade crítica. A escassez persistente de enfermeiros compromete a eficácia dos cuidados, sobrecarrega o sistema e expõe um desequilíbrio perigoso na equipa de saúde nacional
Portugal mantém níveis de prescrição de antibióticos nos cuidados primários superiores à média da OCDE, um padrão partilhado com outros países do sul da Europa. Este uso excessivo, aliado a uma tendência crescente para opioides, alerta para riscos de resistência antimicrobiana e dependência, exigindo uma estratégia nacional concertada para mudar práticas clínicas e culturais profundamente enraizadas
Apenas 3% da despesa em saúde em Portugal é canalizada para a prevenção. Este investimento residual, estagnado há uma década, condena o sistema nacional a um ciclo vicioso de tratamentos caros e reativos. Enquanto isso, países como a Finlândia e o Canadá demonstram que priorizar a prevenção é a estratégia mais inteligente e económica para travar o tsunami das doenças crónicas
O relatório “Health at a Glance 2025” da OCDE expõe uma contradição gritante em Portugal: apesar de uma investigação robusta e profissionais qualificados, a inovação em saúde enfrenta anos de entraves burocráticos, deixando os doentes à espera de terapias já disponíveis noutros países e travando a modernização do SNS
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