SNS quer usar Inteligência Artificial em diagnósticos dermatológicos

12 de Fevereiro 2024

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) anunciou esta segunda-feira o lançamento de uma linha de financiamento para a introdução de ferramentas de inteligência artificial nos diagnósticos dermatológicos.

“Aplicado a uma área onde o acesso a respostas é difícil, a dermatologia, a adoção de ferramentas de inteligência artificial, devidamente validadas e supervisionadas por dermatologistas, constitui o caminho certo para garantir diagnósticos mais rápidos e precisos para os utentes do SNS”, refere a organização, em comunicado.

A escolha da aplicação está em concurso público e uma das condições é que já esteja validada cientificamente, afirmou à Lusa Tomás Pessoa e Costa, médico dermatologista que está à frente deste projeto.

“Em vez de ir sobrecarregar o médico de família, cada pessoa poderá fotografar com a aplicação e depois, se exigir um risco, é enviada para o dermatologista com prioridade alta”, afirmou o responsável.

Salientando que o novo sistema irá servir também quem não tenha um médico de família atribuído, Tomás Pessoa e Costa explicou que, “caso não exista risco, o doente ficará tranquilizado, com indicações de que, se o aspeto mudar, deve fazer nova verificação”.

Esta medida irá permitir “encurtar o prazo de tratamento em muitos meses das lesões graves e colocar os doentes no sistema”, acrescentou.

Em parceria com os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde e a Administração Central dos Sistema de Saúde, o SNS refere que lançou “uma linha de financiamento que suportará uma solução de inteligência artificial que permitirá aos profissionais de saúde e aos utentes do SNS fotografar as lesões dermatológicas com potencial neoplásico, usando o telemóvel, e receber uma avaliação do respetivo nível de risco”.

“Esta ferramenta de Inteligência Artificial permitirá rentabilizar o tempo dos dermatologistas do SNS, qualificando a resposta aos casos com maior probabilidade de malignidade”, refere ainda o comunicado.

Segundo o diretor executivo do SNS, Fernando Araújo, esta solução inscreve-se na estratégia prometida de “utilizar tecnologias inovadoras para melhorar o acesso, a eficiência e a qualidade dos cuidados de saúde em Portugal”.

Citado no comunicado, o responsável salientou que a inteligência artificial é “uma ferramenta complementar no diagnóstico e tratamento de doenças dermatológicas e coloca o SNS entre os sistemas de saúde mais inovadores e tecnologicamente mais disruptivos”.

O concurso já foi lançado, tem um valor indicativo de 75 mil euros e deverá estar concluído até final do primeiro semestre do ano.

LUSA/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Futuro da farmácia em Portugal: consumidores apostam em serviços clínicos e equilíbrio entre digital e humano

Um estudo da consultora 2Logical para a Inizio engage, realizado em Fevereiro de 2026 com 300 residentes em Portugal, revela que 94% dos utentes classificam a experiência actual nas farmácias como muito positiva. Apesar da satisfação, 37% acreditam que o papel destes estabelecimentos será ainda mais importante nos próximos cinco anos, enquanto 60% esperam que se mantenha igualmente relevante

Mortes por enfarte aumentam entre jovens adultos nos EUA, sobretudo em mulheres

A taxa de mortalidade por enfarte agudo do miocárdio voltou a crescer entre a população com menos de 55 anos nos Estados Unidos, depois de anos de aparente estabilização ou descida. A conclusão é de um estudo publicado esta quinta-feira no Journal of the American Heart Association, que analisou perto de um milhão de primeiros internamentos hospitalares entre 2011 e 2022. As mulheres surgem como o grupo mais vulnerável, com taxas de mortalidade superiores às dos homens e menor recurso a procedimentos invasivos para diagnóstico e tratamento.

Raquel Abrantes: “Standards GS1 podem gerar poupanças de 790 milhões de euros na saúde em Portugal”

Raquel Abrantes, Diretora de Qualidade e Standards da GS1 Portugal, analisa a maturidade do setor da saúde na adoção da identificação única. Em entrevista exclusiva, aborda os desafios da interoperabilidade, o impacto da bula digital na experiência do utente e como a normalização de dados está a gerar ganhos de eficiência e a reforçar a segurança dos doentes em Portugal

SPG e Fundação do Futebol lançam campanha nacional contra o cancro colorretal

A Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG) lançou uma campanha nacional de consciencialização no âmbito do Mês da Prevenção para o Cancro Colorretal, que se celebra em março. A iniciativa, que tem como lema “Há atrasos que custam a ultrapassar, outros não dão uma segunda oportunidade”, conta com o apoio da Fundação do Futebol – Liga Portugal, que irá promover a campanha durante os jogos da 26.ª jornada da Liga Betclic e Liga Meu Super.

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights