Cristina Vaz de Almeida Presidente da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde; Doutora em Ciências da Comunicação — Literacia em Saúde. Presidente da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde. Diretora da pós-graduação em Literacia em Saúde. Membro do Standard Committee IHLA — International Health Literacy Association.

Ter ou não fazer nada. Eis a questão na IA

05/20/2024

Diz a OCDE (2024) que a incapacidade de transformar princípios em ações representa um risco significativo. A organização europeia para o desenvolvimento económico reflete neste caso sobre a inteligência artificial (IA) e a sua ampla partilha e os riscos. Mesmo havendo riscos significativos na utilização da IA na saúde, existem também riscos significativos decorrentes da não adoção de medidas para operacionalizar estes caminhos.

Estes riscos incluem: 1) o agravamento das desigualdades digitais e de saúde; 2) o aumento do risco em matéria de privacidade; 3) o abrandamento do progresso científico, 3) a deterioração da confiança do público. Onde pode haver risco, por exemplo, é quando os dados gerados não são partilhados entre sistemas por falta de financiamento, por exemplo, ou por não haver interoperabilidade (forma de os conectar uns com os outros através das redes ou sistemas), recursos insuficientes, acentuando o fosso entre os que têm e podem implementar, e os que não podem.

Este mero fator de não partilha acaba por gerar desigualdades entre os seus destinatários na área da saúde, sejam utilizadores com ou sem doença. Ao não permitir a escalabilidade, são promovidos silos fechados de dados, não partilhados, e, por isso, também não abertos a soluções da ciência, da medicina, da investigação.

Para além disto, gera um maior fosso entre as organizações ricas e que podem investir, e as mais pobres que não têm financiamento. E não podendo, acabam por ter reflexos nos seus destinatários.

O risco existe e é patente porque mesmo entre os que podem ter, estes poderão nada fazer, pela inércia do “deixar andar” e pelo temor das barreiras. Neste sentido, a regulamentação do Espaço Europeu de Dados de Saúde (EEDS), o primeiro espaço comum de dados da UE num domínio específico, está a concretizar-se tendo o Parlamento Europeu e o Conselho chegado a um acordo político nesta primavera de 2024.

Vamos ver o que acontece nesta estratégia europeia para os dados, para que possamos de facto ter e fazer algo pela boa saúde e equidade de todos nós.

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