Incentivos para médicos que se fixem em São João da Pesqueira

9 de Agosto 2024

A Câmara de São João da Pesqueira tem em discussão pública um regulamento para atrair e fixar médicos, que inclui medidas como o pagamento de um “bónus” de mil euros mensais àqueles fiquem mais de dois anos.

O Regulamento Municipal de Atribuição de Incentivos à Fixação e Manutenção de Médicos no Concelho de São João da Pesqueira deverá ser aprovado na Assembleia Municipal do final de setembro, mas terá efeitos retroativos a 01 de agosto.

Em declarações hoje à agência Lusa, o presidente daquela autarquia do norte do distrito de Viseu, Manuel Cordeiro, mostrou-se convencido de que o regulamento será aprovado, porque este é “um tema que já tem sido falado nas reuniões do executivo e da assembleia municipal”.

“Fui um bocado relutante desde o início, porque não é às Câmaras que compete criar condições para que os médicos se fixem nestes concelhos, mas chegámos à conclusão de que se não formos nós as coisas não acontecem”, afirmou o autarca, lembrando que tem sido muito difícil atrair médicos ao interior do país.

O regulamento prevê que os médicos que desempenhem funções a tempo inteiro por um período inferior a dois anos tenham habitação disponibilizada pelo município, as respetivas despesas de energia, água e internet pagas, um cartão para abastecimento de combustível com um plafond mensal de 250 euros e entrada gratuita em todos os serviços e equipamentos municipais.

Para os médicos que optem por ficar dois ou mais anos, a estes apoios acrescem muitos outros, como a atribuição de um apoio financeiro mensal de mil euros, o pagamento de despesas com serviços de apoio à família para os filhos menores em creches, ATL ou outros e explicações gratuitas nas disciplinas de matemática e português.

Com o objetivo de convencer os médicos a viverem definitivamente no concelho, terão também direito à isenção de pagamento de taxas e licenças para a construção de habitação própria ou à isenção do pagamento do valor do Imposto Municipal sobre Transmissões Onerosas de Imóveis para aquisição de habitação própria e do Imposto Municipal sobre Imóveis, durante cinco anos.

“As pessoas vão tendo médico de família, mas elas não sentem que têm médico de família ou muitas vezes nem sabem quem é, porque um médico está cá uns meses, outro está cá um ano”, contou à Lusa Manuel Cordeiro, acrescentando que a intenção é “que fiquem no concelho e as pessoas sintam que têm médico de família”.

Segundo o autarca, a Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados necessita de cinco médicos de Medicina Geral e Familiar.

“Com a reforma de dois médicos que vivem cá, nesta altura temos três, sendo que depois há outros dois que estão em regime de prestação de serviços, portanto, colmatam as falhas”, explicou.

A autarquia já tem dado alojamento aos médicos e pago as despesas relacionadas com a habitação.

“Só que agora, com a atribuição dos mil euros e do subsídio para o gasóleo, legalmente o apoio terá que estar suportado num regulamento municipal”, justificou.

O regulamento permite que os incentivos dados pelo município acumulem “com outros programas de apoio para os mesmos fins, nomeadamente os previstos pela administração central”.

LUSA/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Cuidados continuados integrados: o desafio da fragmentação em Portugal

A prestação de cuidados continuados em Portugal caracteriza-se pela fragmentação entre serviços de saúde e sociais, criando lacunas na assistência a idosos e pessoas com dependência. A falta de coordenação entre os diferentes níveis de cuidados resulta em transições inadequadas e sobrecarga para as famílias

Cuidados Paliativos em Portugal: Cobertura Insuficiente para uma População que Envelhece

Portugal enfrenta uma lacuna crítica nos cuidados paliativos. Com uma população envelhecida e uma vaga de doenças crónicas, milhares terminam a vida em sofrimento, sem acesso a apoio especializado. A cobertura é um retalho, o interior é um deserto de cuidados e as famílias carregam sozinhas o peso de um fim de vida sem dignidade

O Paradoxo Português: Mais Médicos Não Significa Melhor Saúde

Portugal supera a média da OCDE em número de médicos, uma vantagem que esconde uma fragilidade crítica. A escassez persistente de enfermeiros compromete a eficácia dos cuidados, sobrecarrega o sistema e expõe um desequilíbrio perigoso na equipa de saúde nacional

Prescrição segura em Portugal: antibióticos e opioides ainda acima das melhores práticas internacionais

Portugal mantém níveis de prescrição de antibióticos nos cuidados primários superiores à média da OCDE, um padrão partilhado com outros países do sul da Europa. Este uso excessivo, aliado a uma tendência crescente para opioides, alerta para riscos de resistência antimicrobiana e dependência, exigindo uma estratégia nacional concertada para mudar práticas clínicas e culturais profundamente enraizadas

Prevenção em Saúde: A Cura que Portugal Ignora

Apenas 3% da despesa em saúde em Portugal é canalizada para a prevenção. Este investimento residual, estagnado há uma década, condena o sistema nacional a um ciclo vicioso de tratamentos caros e reativos. Enquanto isso, países como a Finlândia e o Canadá demonstram que priorizar a prevenção é a estratégia mais inteligente e económica para travar o tsunami das doenças crónicas

Inovação em Saúde Portuguesa: O Labirinto Burocrático que Prende o Futuro

O relatório “Health at a Glance 2025” da OCDE expõe uma contradição gritante em Portugal: apesar de uma investigação robusta e profissionais qualificados, a inovação em saúde enfrenta anos de entraves burocráticos, deixando os doentes à espera de terapias já disponíveis noutros países e travando a modernização do SNS

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights