Liliana Santos
Enfermeira especialista e coordenadora na Unidade Local de Saúde de Gaia e Espinho, EPE
PhD Ciências da Comunicação - Comunicação em Saúde

Saúde prêt-à-porter

08/17/2024

Todos os dias ouvimos falar dos problemas das urgências no centro e sul do país, dos problemas desta e daquela classe profissional ou de como este ou aquele governo não consegue lidar com a situação…. Quando uns estão satisfeitos, os outros rasgam as vestes e…vice-versa! Parece que todos os dias se resolvem problemas, mas todos os dias surge um novo!

A desorientação é, normalmente, um problema de liderança e, neste caso, também um problema de desadequação das medidas à realidade. É necessário trilhar o caminho da mudança na governance da Saúde e das suas instituições.

A Saúde serve as pessoas e cada comunidade tem características médias distintas, seja ao nível dos utentes, seja ao nível dos prestadores. Os cuidados de saúde têm de ser um fato à medida, algo que só pode ser captado numa lógica de Unidade Local de Saúde (ULS) ou de Centro de Responsabilidade Integrado (CRI). Os contratos-programa e a prestação de contas são a tesoura e as agulhas. E, talvez o mais importante, o trabalho de equipa entre os diferentes profissionais de saúde! A entreajuda para o cumprimento dos objetivos e pela motivação do prémio constituem a inspiração e a arte que dão o design e o ser ao fato.

Estas parecem-me seguras, mas certamente haverá outras. O importante é começar a discutir mais soluções e menos problemas, percebendo que o trabalho de equipa e a customização são a única forma de atingirmos soluções sustentáveis e duradoiras para a Nossa Saúde.

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Doentes urgentes esperam hoje mais de 14 horas no Amadora-Sintra

Os doentes classificados como urgentes que procuram o Hospital Prof. Doutor Fernando da Fonseca, em Amadora-Sintra, enfrentam atualmente tempos de espera superiores a 14 horas para a primeira observação médica, de acordo com dados do portal do SNS consultados esta manhã. 

O relatório OCDE e o resto: o que os números da saúde não mostram

Praticamente toda a população portuguesa tem cobertura para um conjunto central de serviços de saúde, atingindo a universalidade. Contudo, apenas 58% dos cidadãos dizem estar satisfeitos com a disponibilidade de cuidados de qualidade, um valor que fica abaixo da média dos países mais desenvolvidos

Prevenção em Contraciclo: Os Dois Rostos da Qualidade da Saúde em Portugal

O relatório “Health in a Glance 2025” da OCDE revela um sistema de saúde português com contrastes. Enquanto a adesão ao rastreio do cancro da mama, com 55,5%, fica aquém da média da OCDE, a prescrição de antibióticos mantém-se elevada, sublinhando desafios antigos na prevenção de doenças e no uso prudente de medicamentos

Assimetrias Regionais em Saúde Desenham Dois Países Diferentes Dentro de Portugal

Um retrato detalhado do sistema de saúde português revela um país cindido por assimetrias regionais profundas. Enquanto o litoral concentra hospitais e especialistas, o interior enfrenta desertificação médica, acessos limitados e piores resultados de saúde, desde uma menor esperança de vida a uma maior mortalidade prematura. As políticas públicas existentes são apontadas como insuficientes para travar este fosso, que espelha desigualdades socioeconómicas

Disparidades de género na saúde: Homens morrem mais cedo, mulheres vivem mais anos doentes

Em Portugal, como no resto da OCDE, os homens vivem em média menos 5,8 anos do que as mulheres, mas o paradoxo de género revela-se nos detalhes: elas passam uma proporção significativamente maior da sua vida em pior estado de saúde. Esta dupla realidade, com os homens a morrerem mais cedo de causas externas e doenças cardiovasculares e as mulheres a carregarem um fardo pesado de doenças crónicas e incapacitantes, desafia os sistemas de saúde a desenvolverem respostas mais direcionadas

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights