Moçambique vacinou mais de 2,5 milhões de crianças até setembro

17 de Outubro 2024

Mais de 2,5 milhões de crianças foram vacinadas em Moçambique, entre fevereiro e setembro, no âmbito do Plano de Recuperação, implementado para a imunização de crianças ainda não vacinadas ou com vacinação incompleta, disse hoje o Ministério da Saúde.

“Na ronda de fevereiro vacinámos cerca de 860 mil crianças, em junho vacinámos cerca de 861 mil crianças e em setembro vacinámos cerca de 803 mil crianças”, afirmou Quinhas Fernandes, diretor do Programa Nacional de Saúde Pública, em conferência de imprensa hoje em Maputo.

Fernandes avançou que 524.383 das crianças vacinadas tinham “zero dose”, classificação atribuída àquelas que, estando em idade vacinal, não receberam qualquer vacina ou tiveram apenas uma, à nascença.

Pouco mais de dois milhões de crianças estavam na situação de “sub-imunizadas”, ou seja, aquelas que não receberam um esquema completo de vacinas de rotina, explicou.

O diretor nacional de Saúde Pública avançou que o Plano de Recuperação previa a realização de três rondas de vacinação em 74 distritos da zona centro e norte, áreas em que se concentrava o maior número de crianças com necessidade de vacinação.

As províncias de Nampula, norte de Moçambique, com cerca de 253 mil, Zambézia, centro, com mais de 111 mil, e Cabo Delgado, norte, com 83 mil, registaram o maior número de crianças “zero dose” vacinadas, no âmbito do Plano de Recuperação, totalizando 85%, prosseguiu Quinhas Fernandes.

“Estes resultados são impressionantes e contribuíram para retirar Moçambique da lista dos países que tinham o maior número de crianças zero dose ao nível global”, adiantou Fernandes.

Moçambique foi o primeiro país na região africana a desenvolver e implementar um plano desta natureza, acrescentou.

Aquele responsável assinalou ainda que o país teve de adotar o Plano de Recuperação, depois de os progressos alcançados na vacinação terem sido travados pelo impacto da covid-19.

“Através da vacinação, o país conseguiu atingir os níveis de eliminação de algumas doenças, tais como o tétano e a poliomielite. Apesar dos progressos, os choques externos recorrentes e a covid-19 contribuíram para o nosso país e outros acumularem um número considerável de crianças zero dose ou subimunizadas”, realçou.

Adiantou que, no quadro do Plano de Recuperação, foram compradas 700 motorizadas e viaturas, bem como a aquisição e instalação de cerca de 200 geleiras, para unidades de saúde, que visou o reforço da cadeia de frio da capacidade de alcançar as comunidades distantes das unidades sanitárias.

LUSA/HN

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