Plano para as urgências deve ser para todo o país

23 de Outubro 2024

O presidente do colégio de especialidade de ginecologia/obstetrícia da Ordem dos Médicos considerou fundamental regular o acesso às urgências, defendendo que o plano de reestruturação hoje apresentado deve ser aplicado em todo o país.

“Eu acho que é fundamental regular a acessibilidade ao serviço de urgência. As urgências devem ser para as situações urgentes e hoje estão transformadas em consultas abertas e portas de entrada para o hospital”, adiantou José Manuel Furtado, que integra a Comissão Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente.

Esta comissão, presidida pelo médico Alberto Caldas Afonso, elaborou o plano de reorganização para as urgências de obstetrícia/ginecologia e pediatria hoje apresentado e que vai avançar como projeto-piloto nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo, Oeste e Península de Setúbal.

José Manuel Furtado salientou que o “encerramento sistemático de urgências”, como ocorreu principalmente durante o verão devido à falta de especialistas para o preenchimento das escalas, “é inaceitável”, defendendo que o plano agora apresentado pode “contribuir para a resolução de muitos problemas”.

“Esta situação não é comportável. E vemos sempre com bons olhos as mudanças estruturantes para o Serviço Nacional de Saúde (SNS). Este pode ser um caminho a apontar, porque, de facto, são os serviços de urgência que estão mais comprometidos”, alegou o especialista.

Segundo referiu, o plano de reorganização dos serviços cumpre ainda uma norma da Direção-Geral da Saúde, que prevê a criação de mecanismos para apoiar as grávidas e as mulheres que precisam de recorrer ao serviço de urgência.

Ao prever consultas abertas nos hospitais e nos centros de saúde, que podem absorver os casos não urgentes (pulseiras verdes e azuis), o plano permite um melhor atendimento das situações urgentes, através de uma maior disponibilidade dos médicos para atenderem esses casos, explicou o presidente do colégio de especialidade da Ordem dos Médicos.

José Manuel Furtado defendeu ainda que o plano agora proposto “tem de ser extensível a todo o país”, incluindo na região Norte, onde a situação das urgências tem sido mais estável, em comparação com Lisboa e Vale do Tejo.

“O Norte vive alguma estabilidade, mas também é uma estabilidade superficial, porque os problemas são os mesmos. Também vivemos com um número exagerado de consultas nos hospitais do Norte e, portanto, esse problema pode agudizar-se”, referiu.

Sobre a possibilidade de o plano sobrecarregar os cuidados de saúde primários em regiões já com falta de médicos de família, o especialista considerou ser necessário “encontrar soluções, tanto nos hospitais, como nos centros de saúde”.

“As Unidades Locais de Saúde são um tipo de organização que permite um diálogo muito mais apertado entre os hospitais e os centros de saúde. Os conselhos de administração são os mesmos e são um fator que é determinante para um bom diálogo e uma melhor organização dos serviços”, alegou.

De acordo com o plano, as grávidas terão sempre de ligar para a Linha SNS Grávidas antes de recorrerem à urgência hospitalar de ginecologia e obstetrícia.

É recomendado que a grávida ligue para a Linha SNS 24 e, caso seja triada com a pulseira verde (pouco urgente), será encaminhada para uma consulta aberta hospitalar em 24 horas.

Já se for triada com pulseira azul (não urgente) será enviada para uma consulta aberta nos cuidados de saúde primários no dia útil seguinte ou para uma consulta normal.

No caso de a grávida se dirigir pelo próprio pé à urgência será aconselhada a ligar para a linha SNS 24. Caso não queira ligar, será observada por um enfermeiro especialista em saúde materna e obstétrica.

Relativamente à pediatria, o plano prevê a criação de uma Linha SNS Criança para desviar das urgências os casos não urgentes, enviando-os para consultas agendadas nos centros de saúde.

No caso das pulseiras azuis (não urgentes), serão marcadas consultas nos cuidados de saúde primários em 48 horas, enquanto as situações de pulseiras verdes (pouco urgentes) serão encaminhados para a chamada ‘consulta aberta’ nos centros de saúde, para que a criança possa ser vista em 24 horas.

Nas urgências devem ser apenas vistos os casos encaminhados por outras unidades hospitalares, pelos assistentes ou pelo INEM.

LUSA/HN

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