FNAM aponta irresponsabilidade do Ministério da Saúde após tragédias na emergência pré-hospitalar

8 de Novembro 2024

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) expressou a sua indignação em relação à gestão do Ministério da Saúde, liderado por Ana Paula Martins, após a ocorrência de oito fatalidades que evidenciam a falta de resposta às dificuldades enfrentadas na emergência pré-hospitalar. 

Em comunicado enviado à redação da HealthNews, a FNAM lamentou as vítimas e as suas famílias, sublinhando que a Ministra da Saúde deveria ter ouvido os alertas dos profissionais de saúde antes que a situação se tornasse tão trágica.

De acordo com a FNAM, em 2024, mais de 40 partos ocorreram dentro de ambulâncias, refletindo as crescentes dificuldades no acesso ao Serviço Nacional de Saúde (SNS). A organização criticou a falta de investimento em recursos humanos e materiais na na emergência pré-hospitalar, afirmando que, apesar da excelência dos serviços prestados, os profissionais têm enfrentado constrangimentos significativos.

A Ministra Ana Paula Martins, que anteriormente não se mostrava disponível para negociar com o sindicato do setor, comprometeu agora a iniciar conversações. Contudo, a FNAM argumenta que essa disponibilidade deveria ter sido demonstrada antes, a fim de prevenir as tragédias que ocorreram.

O comunicado da FNAM destaca que Portugal gozava de excelentes indicadores de desempenho na na emergência pré-hospitalar e nos cuidados de saúde materno-infantil, mas alerta que a atual falta de competência na liderança do SNS coloca em risco esses resultados, que foram alcançados ao longo de décadas.

A FNAM exige uma negociação séria com os médicos e demais profissionais de saúde, apelando para que não sejam implementadas apenas medidas de contingência motivadas pela pressão mediática.

A organização defende que as propostas dos profissionais de saúde, que têm repetidamente demonstrado ser portadores de soluções eficazes, devem ser levadas em consideração para a recuperação do SNS.

AL/HN

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