Mpox: Casos na RDCongo estão a estabilizar

12 de Novembro 2024

As infeções por vírus mpox na região da República Democrática do Congo (RDCongo) onde uma nova variante, mais infecciosa, foi detetada pela primeira vez parecem estar a “estabilizar”, afirmou a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Um relatório da agência de saúde das Nações Unidas afirma que o número de infeções “mostra uma tendência geral de aumento”, mas que pode ter estabilizado na província de Kivu do Sul, onde a forma mais infecciosa foi identificada pela primeira vez como estando a espalhar-se no início deste ano entre os trabalhadores do sexo e mineiros na cidade mineira de Kamituga.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu que os testes ainda não estão generalizados, o que dificulta a compreensão da forma exata como o vírus se está a propagar.

Segundo aquela agência da ONU, os casos deste vírus estão ainda a aumentar nos vizinhos Burundi e Uganda.

De acordo com os dados da semana passada, a RDCongo registou menos de 100 casos de mpox confirmados em laboratório, contra quase 400 em julho.

Nas últimas semanas, os peritos afirmam que as infeções parecem estar a estabilizar, oferecendo uma oportunidade às autoridades sanitárias de eliminarem definitivamente o surto.

Até à data, cerca de 50 mil pessoas na RDCongo foram vacinadas contra a mpox.

Os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC África) calculam serem necessárias três milhões de vacinas para travar o surto.

Na semana passada, o diretor do CDC África, Jean Kaseya, disse que o continente estava “ainda na fase aguda” desta epidemia, com 19 países afetados e avisou que, sem mais recursos, o vírus poderia tornar-se uma ameaça global.

Segundo a OMS, o surto no Burundi está também a ser provocado pela variante mais recente, que causa sintomas menos graves, o que significa que as pessoas infetadas podem não se aperceber de que estão a espalhar o vírus.

Nas últimas duas semanas, o Burundi registou mais de 200 novos casos por semana, a maioria dos quais em crianças e jovens adultos.

No Uganda, que registou 100 novos casos na semana passada, a OMS afirmou que o vírus se está a propagar sobretudo através de relações sexuais, com a grande maioria dos casos em adultos.

O vírus de mpox propaga-se principalmente através do contacto direto pele a pele com pessoas infetadas ou com as suas roupas ou lençóis sujos, e a doença provoca frequentemente lesões visíveis na pele, o que pode tornar menos provável o contacto próximo com outras pessoas.

Em agosto, a OMS declarou a rápida propagação do vírus na RDCongo e noutras zonas do continente africano como uma emergência sanitária mundial.

Até à data, a África notificou mais de 46 mil casos suspeitos, incluindo 1.081 mortes.

A OMS anunciou que convocará uma reunião de peritos em 22 de novembro para determinar se o vírus mpox continua a constituir uma emergência internacional.

Na semana passada, a Grã-Bretanha anunciou o primeiro caso de propagação do tipo mais infeccioso de varíola para além de África.

A infeção foi identificada numa pessoa que tinha viajado recentemente para África e em três dos seus contactos domésticos.

Todos os indivíduos estão atualmente a ser tratados em dois hospitais de Londres.

NR/HN/Lusa

 

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