Número de adultos diabéticos no mundo mais do que quadruplicou em 30 anos

15 de Novembro 2024

O número de adultos diabéticos no mundo ultrapassou os 800 milhões, mais do que quadruplicou desde 1990, segundo um estudo hoje divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que alerta para “um aumento alarmante” da diabetes.

A análise da rede mundial de cientistas da área da saúde NCD Risk Factor Collaboration (NCD-RisC), com o apoio da OMS, defende a “necessidade urgente de uma ação global mais forte” para combater “a epidemia da diabetes” e alargar o tratamento.

“Para controlar a epidemia global de diabetes, os países devem tomar medidas urgentes: deteção precoce e tratamento”, salienta o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, citado em comunicado.

De acordo com o responsável, tem-se assistido “a um aumento alarmante da diabetes nas últimas três décadas”.

Esse aumento “reflete o aumento da obesidade, agravado pelos impactos da comercialização de alimentos não saudáveis, pela falta de atividade física e pelas dificuldades económicas”, sustenta.

O estudo, publicado na revista científica The Lancet, no âmbito do Dia Mundial da Diabetes, refere que a prevalência global da diabetes em adultos aumentou de 7% para 14% entre 1990 e 2022.

Os países em desenvolvimento “registaram os maiores aumentos”, enquanto o acesso ao tratamento permanece persistentemente baixo.

Em 2022, quase 450 milhões de adultos com 30 anos ou mais – cerca de 59% dos adultos com diabetes – permaneceram sem tratamento, assinalando um aumento de 3,5 vezes no número de pessoas não tratadas desde 1990.

O estudo sublinha que 90% dos adultos não tratados vivem em países em desenvolvimento. O Sudeste Asiático, o Mediterrâneo Oriental e a Região Africana da OMS apresentam as taxas mais baixas de cobertura do tratamento da diabetes, apenas cerca de quatro em cada dez diabéticos tomam medicamentos para baixar a glicose.

Para dar resposta ao crescente número de adultos com diabetes, a OMS apresenta hoje também “um novo quadro de monitorização global”, que representa “um passo crucial na resposta global, fornecendo uma orientação abrangente aos países na medição e avaliação da prevenção, cuidados, resultados e impactos”.

“Esta abordagem padronizada permite aos países priorizar os recursos de forma eficaz, impulsionando melhorias significativas na prevenção e nos cuidados da diabetes”, realça.

Em 2022, a OMS estabeleceu cinco metas globais de cobertura da diabetes a atingir até 2030. Uma dessas metas é garantir que 80% das pessoas com diabetes diagnosticada atinjam um bom controlo glicémico.

O ensaio da NCD-RisC é a primeira análise global das tendências das taxas de diabetes e da cobertura do tratamento, baseando-se em dados de mais de 140 milhões de pessoas com 18 anos ou mais, incluídos em mais de 1.000 estudos que abrangem populações de todos os países.

Em Portugal, cerca de 75 mil pessoas foram diagnosticadas com diabetes em 2023, elevando para mais de 900 mil o total de diabéticos registados nos cuidados de saúde primários, o valor mais elevado de sempre no país.

Os dados constam do relatório de 2024 do Programa Nacional para a Diabetes (PND) da Direção-Geral da Saúde (DGS), que será hoje apresentado e que indica que em 2023 foram registados 75.661 novos diagnósticos da doença em Portugal continental.

LUSA/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Estudo Revela Lacunas no Reconhecimento e Combate à Obesidade em Portugal

A HealthNews esteve esta manhã na apresentação da 9.ª edição do estudo “Saúde que Conta 2025”, em Lisboa. O evento, moderado pelo jornalista João Moleiro da SIC, contou com a apresentação da investigadora Ana Rita Pedro e reuniu especialistas em painel para debater os alarmantes dados sobre obesidade, literacia em saúde e a urgência de mudar a narrativa em Portugal. Os resultados mostram que uma em cada sete pessoas com obesidade não reconhece a doença e que persiste um forte estigma social

Médicos em greve geral contra reforma laboral e colapso do SNS

A Federação Nacional dos Médicos junta-se ao protesto nacional de 11 de dezembro, acusando o governo de promover uma reforma que precariza o trabalho e agrava a degradação do Serviço Nacional de Saúde, com consequências diretas nos cuidados aos utentes

O lenhador, o aprendiz e o médico do trabalho

José Patrício: Médico Especialista em Medicina do Trabalho e em Medicina Nuclear, com formação e competência em Avaliação do Dano na Pessoa e Curso de Técnico de Segurança no Trabalho. Candidato pela Lista A ao Colégio de Medicina do Trabalho, encabeçada por Carlos Ochoa Leite. Conta com 20 anos de experiência clínica e 10 anos de atividade em Investigação e Desenvolvimento como Gestor Médico no Departamento de I&D da BIAL. É Diretor Clínico de serviços externos e internos de Medicina do Trabalho.

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights