Líder do PS acusa primeiro-ministro de ser responsável por situação no INEM

17 de Novembro 2024

O secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, acusou hoje o primeiro-ministro de ser o principal responsável pelo que aconteceu na resposta do INEM no contexto da recente greve, rejeitando responsabilidades do anterior Governo.

“Quem fez uma campanha criando a expectativa nos portugueses, a ilusão nos portugueses, que os problemas da saúde se resolviam fácil e rápido foi Luís Montenegro, não foi a ministra da Saúde”, disse Pedro Nuno Santos.

O secretário-geral do PS falava aos jornalistas à entrada para o XX congresso da corrente sindical socialista da CGTP-IN, em Aveiro.

Questionado sobre se a ministra da Saúde tem condições para continuar no cargo, após os factos ocorridos no INEM, Pedro Nuno Santos respondeu que essa é uma avaliação que a própria e o primeiro-ministro têm de fazer.

“O PS não concentra a sua intervenção nos pedidos de demissão”, afirmou.

Embora reconheça que os problemas do INEM não são de agora, o líder dos socialistas entende que a gestão desta greve “não pode ser imputada ao Governo anterior”, defendendo que a consciência de que há problemas estruturais no INEM, por parte do atual Governo, torna ainda mais grave a forma como lidaram com a situação.

“Se o Governo achava que há problemas estruturais no INEM, isso significa que, perante um pré-aviso de greve, o cuidado e o alarme do Governo devia ser maior. O que nós tivemos? Negligência, desvalorização. E, portanto, a senhora ministra não ligou nenhuma ao pré-aviso de greve, deixou que essa greve acontecesse, num serviço que tem problemas estruturais e tivemos uma situação geradora de mortes”, sublinhou.

Pedro Nuno Santos comentou ainda uma eventual privatização do INEM, com base nas declarações da ministra da Saúde que, segundo o líder do PS, “disse que queria que o INEM fosse apenas um coordenador e não prestador”.

Para Pedro Nuno Santos, essa afirmação da ministra quer dizer que “ela desiste do INEM e a sua solução, aparentemente, é privatizar a prestação da emergência médica em Portugal”.

Referiu ainda que os problemas na saúde têm vindo a agravar-se com este Governo, alegando que houve mais urgências de obstetrícia fechadas neste verão do que no anterior, “um concurso de médicos que correu profundamente mal” e uma gestão da emergência médica que “é assustadora com graves consequências para os portugueses”.

“Isto não muda só com a senhora ministra. Há toda uma perspetiva em matéria de saúde que este Governo tem que é profundamente errada”, afirmou.

Na passada terça-feira, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, disse esperar que a Inspeção-Geral da Saúde faça uma “avaliação profunda” sobre se foram cumpridos os serviços mínimos na greve do INEM e garantiu que foi feito tudo o que era possível.

As mortes de 11 pessoas alegadamente associadas a falhas no atendimento do INEM motivaram a abertura de sete inquéritos no Ministério Público, um dos quais já arquivado. Há ainda um inquérito em curso da IGAS.

LUSA/HN

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