AICEP leva aos EUA potencial de Portugal nos ramos da saúde e inovação

22 de Novembro 2024

As potencialidades e conquistas de Portugal nos ramos da saúde e inovação estiveram esta quinta-feira em destaque num fórum organizado pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) em Nova Iorque, voltado para o mercado norte-americano.

Naquela que foi a 7.ª edição do ‘Portugal Economic Forum’, foram apresentados três painéis: “Ecossistema, tendências e oportunidades no setor da saúde e inovação dos Estados Unidos”, “Portugal na indústria farmacêutica mundial”, e “Inovação biotecnológica em Portugal e parcerias com empresas americanas”.

O presidente da AICEP, Ricardo Arroja, explicou que a escolha do tema saúde e inovação para a 7.ª edição do fórum deveu-se ao “grande dinamismo económico” que o setor representa.

Além disso, defendeu tratar-se de um setor que “permite acomodar e acolher os recursos humanos qualificados que Portugal tem nas áreas das ciências da vida, em que todos os anos milhares de alunos são inscritos no ensino superior e se licenciam, com capacidade para acrescentarem valor a muitos desses projetos, em áreas em que efetivamente Portugal está hoje ao nível do que melhor se faz no mundo”.

“As ciências da vida são hoje cada vez mais um vetor de grande crescimento em Portugal e de grande investimento também. As exportações de bens farmacêuticos têm vindo a crescer 15% ao ano ao longo da última década. É um dos setores de exportação com maior vigor na economia portuguesa”, destacou o líder da AICEP.

Simultaneamente, observou ainda Ricardo Arroja, “temos também uma série de grandes projetos de investimento internacionais a virem para Portugal de diferentes geografias, nomeadamente de empresas norte-americanas que se estão a estabelecer em Portugal, seja no desenvolvimento farmacêutico, seja em áreas adjacentes, como por exemplo, centros de serviços partilhados”.

O primeiro painel do Fórum, denominado “Ecossistema, tendências e oportunidades no setor da saúde e inovação dos Estados Unidos”, foi apresentado por Stephanie Rothman, consultora de investimentos do programa federal norte-americana SelectUSA, que deu a conhecer as tendências e oportunidades emergentes no país e que poderão moldar o futuro da assistência médica.

“Portugal na indústria farmacêutica mundial” foi o tema do segundo painel, com a moderação de Rodrigo Carvalho, presidente do conselho de administração da Câmara de Comércio Portugal-Estados Unidos, e com a presença de empresas como Hovione, AbbVie Portugal e Porto Business School, que debateram os principais contributos e potencialidades de Portugal nesse setor.

O último painel foi dedicado à “Inovação biotecnológica em Portugal e parcerias com empresas americanas”, e contou com a participação da Bial Biotech, da Pasithea Therapeutics e da Universidade de Coimbra, tendo sido moderado por Yvonne Bendinger-Rothschild, diretora executiva da Câmara de Comércio Europeia-Americana, num segmento em que foi dado destaque à importância de promover parcerias com empresas norte-americanas para impulsionar a inovação.

A Universidade de Coimbra esteve representada no evento pelo professor Nuno Mendonça, responsável da reitoria pela área de investimento, que explicou à Lusa os atrativos da instituição de ensino, nomeadamente ao nível do “conhecimento científico” dos “recursos humanos altamente qualificados”.

Como mais-valia, Nuno Mendonça apontou a grande capacidade da Universidade de Coimbra para produção de patentes, com “72% das patentes produzidas ligadas à área da saúde”, o que demonstra a valorização do “conhecimento dos investigadores”.

“Além disso, também temos a capacidade de gerar recursos humanos altamente qualificados, como bacharelados, licenciaturas, mestrados e doutoramentos. Cerca de 1000 pessoas por ano são graduadas na Universidade de Coimbra diretamente ligadas às áreas da saúde, o que nos permite, quer do ponto de vista do conhecimento científico, quer do ponto de vista de recursos humanos altamente qualificados, ter as condições ideais para atrair empresa que norte-americanas que se pretendem implementar na Europa”, defendeu Mendonça.

O ‘Portugal Economic Forum’ deste ano contou ainda com a presença do embaixador de Portugal em Washington, Francisco Duarte Lopes, e do diretor da AICEP em Nova Iorque, Carlos Moura.

LUSA/HN

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