Marcelo considera indesejável um antigo Presidente da República intervir na atualidade política

12 de Dezembro 2024

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou hoje indesejável um antigo chefe de Estado intervir na atualidade política depois de deixar o cargo, indicando que não tem “essa vitalidade, essa força, nem esse desejo”.

Depois de na quarta-feira ter dito que jamais falará de política quando deixar o Palácio de Belém, Marcelo Rebelo de Sousa foi confrontado com o facto de ter dito em 1996 que não seria candidato à liderança do PSD “nem que Cristo desça à Terra”, e depois ter entrado nessa corrida, que acabou por ganhar.

“Eu aprendi com essa experiência e com outras posteriores. Aprendi que quando se diz que não, tem que ser não, totalmente não. Porque se é mais ou menos, aceita-se isto, não se aceita aquilo, depois aceita-se isto, depois não se aceita aquilo, às tantas temos aquilo que é indesejável num antigo chefe de Estado, que é estar a intervir no que se passa com o seu sucessor, com os governos que ele nomeou”, afirmou.

Marcelo Rebelo de Sousa falava à margem de uma visita ao Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão (no distrito de Lisboa), onde participou no programa Natal dos Hospitais, da RTP.

O chefe de Estado recusou tratar-se de uma crítica a algum dos seus antecessores, referindo que “houve na experiência portuguesa casos de chefes de Estado que agiram de uma maneira ou de outra maneira, são como são”.

“O Presidente Mário Soares, por exemplo, até ao fim da vida foi político e interveio politicamente, candidatou-se várias vezes, umas vezes ganhou, outras vezes perdeu, fazia parte da natureza. Eu não tenho essa vitalidade, essa força, nem esse desejo”, indicou, defendendo que “é bom” para a “estabilidade das instituições” que um Presidente da República se afaste quando deixa o cargo.

“Eu irei aos Conselhos de Estado, eu irei às cerimónias 25 de Abril, 10 de Junho, 05 de Outubro, mas não devo estar a intervir naquilo que é o dia-a-dia da política nacional e internacional”, considerou.

Sobre as eleições presidenciais de 2026, Marcelo Rebelo de Sousa sustentou que seria “falta de gosto” falar sobre os candidatos.

“Eu que não falo dos candidatos autárquicos, dos candidatos legislativos, dos candidatos às regionais, às europeias, não vou falar nos candidatos à sucessão no cargo que exerço. Além de ser violação da neutralidade, era falta de gosto, falta de senso e falta de gosto”, disse.

O chefe de estado chegou ao Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão minutos antes das 12:00 e cumprimentou funcionários e utentes. Durante a sua participação no programa cantaram-lhe os parabéns em direto na televisão nacional, e Marcelo Rebelo de Sousa acompanhou a canção, cantando também.

No final, o Presidente da República explicou aos jornalistas que alterou os planos da visita de Estado que fez nos últimos dias aos Países Baixos e que regressou a Portugal “durante a madrugada” para poder estar presente nesta celebração que “é uma tradição”.

Marcelo Rebelo de Sousa disse que o seu dia de anos seria passado a trabalhar. Depois de sair de Alcoitão iria dar um mergulho à hora de almoço e seguiria para o Palácio de Belém para receber “personalidades internacionais” ligadas a “vários tribunais internacionais”. À tarde participa na cerimónia de entrega do título de professor emérito a António Sampaio da Nóvoa e à noite vai ao concerto do 40º aniversário da Blitz.

Já quanto ao Natal, o chefe de Estado afirmou que, antes, ainda irá a Cabo Verde, “para assinalar os 50 anos do acordo que abriu caminho à independência” e à Eslováquia, para visitar a força nacional destacada naquele país.

“Quando regressar, ainda tenho o dia 23 de trabalho, e a partir da noite de 23 e até 25 é Natal no sentido de encontro familiar mais próximo”, indicou.

O Presidente disse que fará a habitual aparição na Ginjinha do Barreiro, mas “provavelmente” reduzirá a sua agenda pública o “mais possível” naquela altura, justificando que “quem deve ter protagonismo agora, como noutras ocasiões outro primeiro-ministro, é o primeiro-ministro”.

NR/HN/Lusa

 

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