Diretores da Unidade Local de Saúde de Gaia/Espinho (ULSGE) exigem ser ouvidos sobre substituição da administração

13 de Janeiro 2025

Os diretores de serviço da Unidade Local de Saúde de Gaia/Espinho (ULSGE) querem ser ouvidos sobre a substituição da administração que terminou mandato em dezembro, refere um abaixo-assinado enviado ao Presidente da República e à tutela.

“Porque melhores decisões carecem sempre da melhor informação disponível, vêm estes profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e da ULSGE, que estão na linha da frente, com testemunhos continuados, disponibilizar-se para poderem ser ouvidos sobre o que em sua opinião entendem puderem ser as melhores opções para os tempos que se avizinham”, lê-se na carta assinada por quase quatro dezenas de diretores, à qual a Lusa teve hoje acesso. A noticia do abaixo-assinado foi dada primeiramente pelo jornal Público.

No abaixo-assinado dirigido a Marcelo Rebelo de Sousa, mas também ao primeiro-ministro, à ministra da Saúde e ao diretor-executivo do SNS, estes profissionais de Gaia/Espinho tecem elogios ao atual conselho de administração, liderado por Rui Guimarães, que terminou mandato em dezembro e aguarda indicações sobre se será reconduzido ou substituído.

Considerando que “a mudança só por si pode muitas vezes traduzir-se em simples perda de tempo e de dinheiro”, os diretores apontam que a agora ULSGE, antes centro hospitalar Gaia/Espinho, está a ser liderada há seis anos por Rui Guimarães “ao qual em muito se fica a dever a estabilidade e os níveis assistenciais alcançados”.

“Nos últimos seis anos assistimos a um salto assistencial significativo nos cuidados de saúde dos concelhos de Gaia e Espinho”, referem.

E, num abaixo-assinado datado de 17 de dezembro, os diretores acrescentam que “sendo legítimo considerar a existência de diferentes ciclos de gestão, muitas vezes coincidentes com ciclos políticos, não menos legítimo é esperar que a experiência e o conhecimento acumulado não devem ser desperdiçados”.

No mesmo texto, os diretores apontam que a ULSGE tem obtido resultados e métricas que “falam por si”, considerando que esta unidade de saúde está “entre as melhores na região Norte e a nível nacional”.

“Para além dos números foi também realizado na ULSGE um trabalho assinalável na área da formação médica, sendo hoje um dos primeiros locais a ser procurado e escolhido para formação em várias especialidades médicas, assim como na fixação de jovens médicos pela opção de trabalho aqui realizada, em contraciclo com o que se vai observando no SNS”, acrescentam.

A atual administração da ULSGE tomou posse em 2019.

Rui Guimarães foi nomeado diretor clínico do Hospital de Barcelos durante o governo de Pedro Passos Coelho, tendo sido conduzido para o Centro Hospitalar Gaia/Espinho quando Marta Temido tutelava a Saúde no primeiro governo de António Costa.

A agência Lusa contactou um dos subscritores do abaixo-assinado que disse não ter conhecimento de qualquer contacto recente sobre este assunto por parte do Ministério da Saúde.

Já os gabinetes da Presidência da República e do primeiro-ministro apenas acusaram a receção da carta.

“Em julho fizemos um abaixo-assinado semelhante e aconteceu o mesmo. O mérito deve ser reconhecido. A tutela deve ter em conta, neste processo, o desemprenho das várias administrações. A orientação estratégica que tem norteado esta ULS protege esta instituição. Receia-se que alteração do conselho de administração ponha em causa os vários investimentos em curso”, disse à Lusa o diretor de imagiologia, Pedro Sousa.

Em dezembro, o Ministério da Saúde liderado por Ana Paula Martins demitiu pelo menos três conselhos de administração de ULS: Lezíria, Alto Alentejo e Leiria.

A direção-executiva do SNS, agora liderada por António Gandra D’Almeida justificou estas mudanças como “novas abordagens de gestão”.

Além de Vila Nova de Gaia, preveem-se mudanças nas ULS do Alto Minho, Braga, Barcelos/Esposende e Vila Real pelo menos.

NR/lusa/HN

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