Maria João Carvalho
Técnica de Farmácia no Centro de Saúde Militar de Tancos/Santa Margarida
Estudante de Doutoramento em Saúde Pública na ENSP NOVA

“Motivação dos Profissionais de saúde: O papel da autonomia, competências e propósito”

01/28/2025

A motivação dos trabalhadores é um tema que tem ganho popularidade ao longo do tempo, especialmente no setor da saúde. Profissionais motivados apresentam não só maiores níveis de satisfação e de produtividade, mas também lidam melhor com os desafios diários, como os impostos pela pandemia de COVID-19.

No entanto, alguns fatores como a remuneração, os recursos disponíveis e as condições de trabalho, elencados na literatura como fatores promotores de uma maior motivação, nem sempre são suficientes para garantir os seus elevados níveis. Baixos níveis de motivação estão associados a baixa produtividade, mau desempenho e diminuição da segurança e qualidade dos cuidados prestados, bem como aumento dos seus custos.

Sabendo disto, importa responder à questão: qual o ingrediente secreto para aumentar os níveis de motivação?

Embora muitos acreditem que o salário seja o principal motivador, estudos demonstram que as recompensas financeiras só têm impacto a curto prazo. Quando já existe segurança financeira, a motivação dos profissionais pode depender de outros fatores:

  • Autonomia: profissionais com maior controlo sobre o seu trabalho e sobre as decisões tomadas sentem-se mais motivados.
  • Domínio das competências: Os trabalhadores gostam de sentir que estão a desenvolver novas competências e a adquirir novos conhecimentos. Estas, quando reforçadas com feedback positivo melhoram o seu desempenho e confiança.
  • Propósito: sentir que o seu trabalho tem um impacto significativo e visível, seja em pequenas tarefas ou grandes projetos, é um fator essencial para a motivação.

Tendo em conta os três tópicos apresentados, melhorar a motivação dos trabalhadores, parece uma tarefa simples. No entanto, o ambiente de trabalho dos profissionais de saúde enfrenta barreiras significativas: a burocracia excessiva, a falta de autonomia e os elevados níveis de stress. Estas condições, além de criarem desmotivação, comprometem também a qualidade dos cuidados prestados.

Para mudar este paradigma é necessário repensar a forma como trabalhamos atualmente. Os gestores devem alinhar os objetivos organizacionais às necessidades dos profissionais,

de forma a que tenham mais autonomia. Além disso, devem incentivar as suas equipas a participar em projetos inovadores, que se traduzam em crescimento pessoal e profissional. Gerir pessoas de forma eficiente é essencial para garantir o bem-estar e a qualidade dos cuidados prestado à população.

 

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