Federação de dadores de sangue sai satisfeita de reunião com a tutela

11 de Fevereiro 2025

A Federação Portuguesa dos Dadores Benévolos de Sangue (FEPODABES) manifestou-se hoje satisfeita com a posição assumida pela tutela da Saúde no encontro de hoje, sobretudo no que se refere à revisão e regulamentação do estatuto do dador.

A federação tinha solicitado uma audiência para expor as suas preocupações, designadamente a falta de regulamentação do estatuto do dador de sangue – aprovado em 2012 – “para que todos os hospitais apliquem os mesmos benefícios quando se vai dar sangue”, disse o presidente da FEPODABES.

Em declarações à agência Lusa após o encontro, Alberto Mota deu como exemplo o facto de alguns hospitais cobrarem o estacionamento ao dador quando este vai dar sangue e sublinhou a importância de voltar a dar o dia ao dador.

“Quando o dador ia dar sangue, estava consagrado que tinha aquele dia, uma situação que terminou com a troika e não foi reposta”, afirmou.

Alberto Mota disse que a secretária de Estado se mostrou aberta a analisar algumas questões, inclusivamente admitiu poder propor mais reconhecimentos aos jovens, “até para estimular a dádiva”.

O presidente da direção da FEPODABES insistiu que a dádiva não deve ser paga, mas lembrou que os dadores devem ver regulamentado o estatuto para que o reconhecimento de alguns direitos seja efetivo.

Outra das preocupações expressas pela FEPODABES foi a falta de profissionais nos centros de sangue e da transplantação “Porto, Coimbra e Lisboa”, assim como o facto de o movimento voluntário de dádiva de sangue (associações, grupos e núcleos de dadores) não ter “participação ativa” no Conselho Consultivo do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST).

“O movimento voluntário (…) é responsável por cerca de 60% a 65% das dádivas obtidas pelo IPST, acrescenta a federação.

A FEPODABES tem vindo a alertar para a crescente falta de profissionais no IPST, que em 2024 abriu 79 vagas.

Tem igualmente apelado à dádiva de sangue, sendo que o último apelo público foi em dezembro, para que a população – sobretudo os mais jovens – desse sangue entre o Natal e o Ano Novo, alertando na altura para os baixos níveis das reservas nesse período.

A federação lembra que todos os dias são necessários entre 1.000 a 1.100 unidades de sangue nos hospitais e que podem dar sangue todas as pessoas saudáveis, com idade dos 18 aos 65 anos, com mais de 50 kg de peso.

A informação sobre os locais oficiais de recolha de sangue está disponível em www.fepodabes.pt e no portal www.dador.pt.

NR/HN/Lusa

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