Governo moçambicano admite “desafios” para disponibilizar material médico após vandalismo

18 de Fevereiro 2025

O ministro da Saúde de Moçambique, Ussene Isse, admitiu hoje “desafios” para disponibilizar material médico nas unidades sanitárias, incluindo fármacos, após destruição e vandalização de um centro de abastecimento de medicamentos em Maputo, durante manifestações pós-eleitorais.

Falando no final de uma visita a um centro de abastecimento de medicamentos queimado e destruído em Maputo durante protestos pós-eleitorais, Ussene Isse afirmou que as perdas contabilizadas neste local, de mais de 500 milhões de meticais (7,4 milhões de euros), são “uma tragédia”.

“Agora esta situação vai trazer a nós como profissionais de saúde desafios e o principal é garantir que consigamos responder às necessidades da população em termos de material médico que é importante para o atendimento da nossa população”, declarou.

Em 27 de dezembro, o Governo moçambicano tinha contabilizado pelo menos 77 viaturas da saúde destruídas durante as manifestações pós-eleitorais, com uma estimativa de prejuízos de 14,3 milhões de euros em artigos médicos perdidos com a destruição do centro de abastecimento de medicamentos.

“Nós temos até agora mais de 77 viaturas entre vandalizadas e destruídas e destas pelo menos 55 estavam na central de abastecimento e inclui viaturas novas que ainda deviam ser distribuídas pelos país”, disse o então ministro da Saúde, Armindo Tiago.

O responsável falava durante uma visita a unidades hospitalares da cidade de Maputo, em que revelou que um dos armazéns do centro de abastecimento de medicamentos incendiado em Maputo por manifestantes após a proclamação dos resultados pelo Conselho Constitucional continha medicamentos avaliados em 5 milhões de dólares (4,7 milhões de euros).

Hoje, o novo ministro da Saúde admitiu que a resposta do Governo no fornecimento de material médico aos doentes “não será igual” após o fogo posto no centro de abastecimento de medicamentos e lembrou que o processo de importação leva pelo menos 18 meses.

“Temos que ter muita paciência, porque eventualmente poderão chegar numa unidade sanitária e haver necessidade deste ou aquele consumível e não estar disponível, porque muito material foi aqui destruído e isso vai impactar diretamente na assistência médica da nossa população”, alertou Ussene Isse.

Moçambique vive desde 21 de outubro um clima de forte agitação social, com manifestações e paralisações convocadas, primeiro, pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, que rejeita os resultados eleitorais de 09 de outubro.

Atualmente, os protestos, agora em pequena escala, têm estado a ocorrer em diferentes pontos do país e, além da contestação aos resultados, os populares queixam-se do aumento do custo de vida e de outros problemas sociais.

Desde outubro, pelo menos 327 pessoas morreram, incluindo cerca de duas dezenas de menores, e cerca de 750 foram baleadas durante os protestos, de acordo com a plataforma eleitoral Decide, organização não-governamental que acompanha os processos eleitorais.

LUSA/HN

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