Cientistas alcançam novo marco na fusão nuclear mantendo plasma por 22 minutos

20 de Fevereiro 2025

Cientistas alcançaram um “marco” na via da fusão nuclear ao manterem um plasma durante mais de 22 minutos - um recorde - no reator operado pelo Comissariado de Energia Atómica (CEA) de França, anunciou a organização.

A fusão nuclear, que promete uma energia limpa, segura, barata e praticamente inesgotável, é objeto de investigação fundamental há décadas.

Consiste em reproduzir as reações que têm lugar no coração das estrelas, através da reunião de dois núcleos atómicos derivados do hidrogénio. É o contrário do processo de fissão utilizado nas centrais nucleares atuais, que consiste em quebrar as ligações entre os núcleos atómicos pesados.

Para provocar esta fusão são necessárias temperaturas de pelo menos 100 milhões de graus Celsius para criar e confinar o plasma. Este gás quente e eletricamente carregado tende a tornar-se instável, o que pode causar perdas de energia e limitar a eficiência da reação.

O reator que funciona no centro do Comissariado de Energia Atómica e Energias Alternativas, o CEA, uma instituição de investigação estatal em Cadarache, perto de Marselha, no sul de França, conseguiu, a 12 de fevereiro, manter um plasma durante 1.337 segundos, “melhorando em 25% o anterior recorde” estabelecido em janeiro na China, informou o CEA num comunicado de imprensa.

A obtenção de um “plasma longo” mostra que “podemos controlar a sua produção, mas também a sua manutenção”, declarou à AFP Anne-Isabelle Étienvre, diretora de investigação fundamental do CEA.

Os cientistas têm ainda de ultrapassar uma série de “obstáculos tecnológicos” para que a fusão termonuclear possa “produzir mais energia do que a que consome”, o que ainda não é o caso, sublinhou.

Nos próximos meses, a equipa quer conseguir “durações de plasma muito longas, da ordem de várias horas acumuladas” e aquecer “este plasma a uma temperatura ainda mais elevada, para se aproximar o mais possível das condições esperadas nos plasmas de fusão”, explica o CEA no comunicado.

O objetivo é “preparar da melhor forma possível a exploração científica do Iter”, o projeto de reator experimental lançado em 1985 pela União Europeia, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Índia, Japão e Rússia, explicou.

Inicialmente prevista para 2025, a produção do primeiro plasma do Ite (International Thermonuclear Experimental Reator), que regista atrasos consideráveis e custos excessivos, foi adiada no verão passado para, pelo menos, 2033.

NR/HN/Lusa

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