Nova estratégia para doenças raras defende critérios para doentes estrangeiros

28 de Fevereiro 2025

A nova estratégia para as doenças raras, hoje divulgada, defende que os doentes elegíveis para a prescrição de medicamentos órfãos, que envolvem o diagnóstico e o acompanhamento em Portugal, devem ser referenciados pelo médico assistente do país de origem. O “Plano de Ação para as Doenças Raras: da estratégia à Pessoa 2025-2030”, apresentado pelo Ministério […]

A nova estratégia para as doenças raras, hoje divulgada, defende que os doentes elegíveis para a prescrição de medicamentos órfãos, que envolvem o diagnóstico e o acompanhamento em Portugal, devem ser referenciados pelo médico assistente do país de origem.

O “Plano de Ação para as Doenças Raras: da estratégia à Pessoa 2025-2030”, apresentado pelo Ministério da Saúde no Dia Mundial das Doenças Raras, refere que deve “haver critérios e normas” para este tipo de situações de que é exemplo o caso das gémeas luso-brasileiras com atrofia muscular espinhal que foram tratadas no Hospital Santa Maria, em Lisboa.

“Doentes com diagnóstico e seguimento noutros países devem ser referenciados pelo médico assistente do país de origem para um CRef [centro de referência] ou um CEdOS [Centro Especializado de Órgão/Sistema], com autorização prévia das entidades competentes nesse país e em Portugal, estratégia de que é exemplo a Diretiva Europeia de Cuidados Transfronteiriços”, segundo o documento divulgado hoje pelo Ministério da Saúde.

Em Portugal, todos os medicamentos órfãos – dirigidos a tratamento destas doenças – aprovados pela Agência Europeia têm Autorização de Introdução no Mercado e há 55 em avaliação, em diferentes áreas terapêuticas em Portugal.

Segundo dados divulgados no documento, foram financiados e administrados 82 opções terapêuticas para doenças raras, entre 2019 e 2024, sendo a maioria para doenças oncológicas, respiratórias e do sistema nervoso central.

Em 2024, a despesa com estes medicamentos foi de 335 milhões de euros, representando 15,6% da despesa hospitalar com medicamentos.

Atualmente, estão aprovados 184 medicamentos órfãos, com 135 indicações terapêuticas, mas apenas para 15% das doenças raras, refere o documento, sublinhando que, nos últimos três anos, foram autorizados 127 ensaios clínicos em doenças raras dos quais 60 em 2023.

Os peritos que elaboraram o plano afirmam que, apesar das ações positivas dos programas anteriores como a criação de centros de referência, o acesso a medicamentos inovadores e melhor diagnóstico com novos métodos de sequenciação, o registo é ainda insuficiente.

“Os códigos ORPHA [identificador único atribuído a cada doença na plataforma europeia Orphanet] não estão disponíveis em todos os sistemas informáticos, há serviços integrados em Redes Europeias de Referência e que não constituem Centros de Referência em Portugal, mantém-se uma deficiente coordenação intersetorial, assim como défice de informação à população e formação insuficiente dos profissionais de saúde”, alertam.

O novo plano foi elaborado pelo Grupo de Trabalho Intersetorial para as Doenças Raras, nomeado em 2023, constituído por representantes de instituições dos ministérios da Saúde, da Educação, Ciência e Inovação, Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, associações de doentes, ordens profissionais e municípios, a que se somaram mais de 100 contributos no período de discussão pública.

O documento identifica 25 ações prioritárias para 2025 e prevê três ações prévias das quais duas da responsabilidade do Ministério da Saúde: Aprovação da Ação para as Doenças Raras 2025‑2030 e a nomeação da Coordenação Intersetorial para as Doenças Raras.

A terceira ação é da responsabilidade dos Ministérios da Educação e Ciência e da Solidariedade Social, nomeadamente a “sensibilização e compromisso de concretização das ações inerentes às suas áreas”.

As 25 ações assentam em “quatro pilares indispensáveis” para a concretização do plano: Centros Especializados, Registo e Codificação, Investigação e Formação.

Em 2024, foram rastreados 84.631 recém-nascidos (99% dos nascimentos no país) e identificaram-se 138 com alterações suspeitas de doenças raras.

Estima-se que existam 600 mil pessoas com uma doença rara em Portugal.

NR/HN/Lusa

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Alertas de produtos perigosos na UE atingem máximo histórico. Cosméticos lideram

O número de notificações de produtos perigosos no mercado europeu disparou em 2025, atingindo o valor mais alto de sempre. Foram 4.671 alertas registados no Safety Gate, o sistema de troca rápida de informações entre autoridades nacionais. O valor representa um aumento de 13% face a 2024 e mais do dobro do total de 2022. Cosméticos, brinquedos e aparelhos elétricos encabeçam a lista

Maria João Gonçalves: “Portugal devia integrar a vacina do Herpes Zoster no PNV para garantir equidade”

Quase 63 mil adultos foram diagnosticados com Herpes Zoster num ano em Portugal. Em entrevista exclusiva ao HealthNews, Maria João Gonçalves, infeciologista e Assistente Hospitalar Graduada de Infeciologia na Unidade Local de Saúde de Matosinhos, explica por que a doença afeta cada vez mais pessoas, o impacto da dor crónica e a urgência de incluir a vacina no Programa Nacional de Vacinação

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights