PS diz que há autarcas do PSD que querem demissão da Ministra da Saúde

4 de Março 2025

Presidentes de câmara da Área Metropolitana de Lisboa do PS instaram o governo a melhorar as condições de saúde, alegando que existem autarcas do PSD que defendem que a Ministra da Saúde deve apresentar a sua demissão.

Num comunicado conjunto, presidentes de câmara de Alcochete, Almada, Amadora, Barreiro, Loures, Moita, Montijo, Odivelas, Sintra e Vila Franca de Xira e os presidentes das federações do PS da área urbana de Lisboa e do distrito de Setúbal, defenderam que o governo tem “prejudicado o acesso a cuidados de saúde”.

No comunicado, os socialistas alegadamente citam autarcas e dirigentes do PSD – sem mencionar nomes – que defendem que a Ministra da Saúde “deverá apresentar a sua demissão para que imediatamente seja substituída por outrem capaz de fazer o que é preciso ser feito”.

“Existem dirigentes e autarcas do PSD a referirem que a Ministra da Saúde deverá explicar ao País o que pretende fazer para reformar o SNS em oposição às medidas casuísticas e desesperadas de encerramento de serviços de saúde fundamentais para o bem-estar e dignidade das populações”, acrescenta.

O comunicado, assinado pela presidente da Federação da Área Urbana de Lisboa do PS e pelo presidente da Federação de Setúbal do PS, adianta que “a falta de transparência na informação relativa à produção e assistência hospitalar e o distanciamento relativamente aos autarcas só podem significar o encobrimento da incompetência da Ministra da Saúde e os falhanços de muitas das medidas anunciadas”.

Os presidentes de câmara apontam que no Hospital Amadora/Sintra “registaram-se 36 horas de espera em serviços de urgência” e que a demissão do Conselho de Administração na Unidade de Saúde Local (ULS) de Amadora/Sintra revela que “existe a possível intenção do Governo em integrar o Hospital de Proximidade de Sintra numa eventual nova ULS Cascais/Sintra e não na ULS Amadora/Sintra”.

Notam ainda que na mesma unidade hospitalar saíram 13 cirurgiões e referem que a Ordem dos Médicos notou que estão “a trabalhar muito abaixo dos limites de segurança”, citando ainda uma carta de médicos internos em que revelam um “clima de insegurança profissional”.

Os socialistas apelam a que “seja reconsiderada toda a estratégia do governo na política de saúde, com o objetivo de garantir o reforço do SNS e garantir o direito à proteção da saúde e o dever de a defender e promover no todo nacional e, muito particularmente, nos territórios da AML”, adianta ainda o comunicado.

Para os autarcas do PS o governo tem “delapidado a prestação de serviços de saúde às comunidades” e que “é manifestamente evidente, o objetivo de desvirtuar o SNS do seu espírito fundacional e escancarar as suas portas à entrada de privados sem que se conheçam os critérios e estudos de suporte às várias decisões da tutela, nem se verificando a garantia de que as referidas parcerias reforcem o SNS”.

“Mais importante do que as danças de cadeiras promovidas pela Ministra da Saúde; mais importante do que a cadeira da própria Ministra da Saúde”, o governo deve “garantir o reforço do SNS e garantir o direito à proteção da saúde e o dever de a defender e promover no todo nacional e, muito particularmente, nos territórios da AML”.

lusa/HN

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