Presidente da Câmara de Santo Tirso garante hospital local no SNS até às legislativas

15 de Março 2025

O presidente da Câmara de Santos Tirso, Alberto Costa, afirmou hoje ter recebido da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, a garantia de que o Hospital de Santo Tirso não passará para a gestão de misericórdia antes das legislativas.

A garantia da ministra aconteceu no decurso da reunião que o autarca socialista teve com a governante, na sexta-feira, tendo, segundo Alberto Costa, a ministra afirmado estar em curso um estudo sobre a transferência da gestão do hospital local e que provavelmente só estará pronto após as eleições de 18 de maio.

Segundo Alberto Costa, que falou à margem de uma marcha, em Santo Tirso, contra a saída da gestão do hospital do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o estudo visa perceber o que vai ser possível manter dentro da esfera do SNS depois do anúncio, em 12 de dezembro, do primeiro-ministro de que o hospital de Santo Tirso passaria a ser gerido pela misericórdia local.

Exemplo disso, afirmou o autarca, é a nova unidade de saúde mental do Hospital de Santo Tirso que “não é possível, legalmente, passá-la para a Misericórdia e que, a ficar, vai ter que ficar no mesmo espaço no Hospital de Santo Tirso, mas sob gestão da Unidade Local de Saúde do Médio Ave [que integra o hospital da polémica].

Ainda assim, Alberto Costa diz ter recebido da ministra a garantia de que se o futuro governo for PSD que a decisão irá avançar, revelando, ao mesmo tempo, ter conversado na sexta-feira com o secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos que lhe garantiu que “irá reverter” a saída da gestão do hospital para a misericórdia caso seja o próximo primeiro-ministro de Portugal.

Em representação do Sindicato dos Médicos do Norte e da Federação Nacional dos Médicos, Alice Jeri deu o testemunho dos “trabalhadores que, estando num hospital que passa para a esfera do privado, podem ter os seus direitos alterados”, para além de que “trabalhar numa lógica de um privado, independentemente de ser uma parceria pública ou privada, coloca sempre os trabalhadores médicos numa situação em que as decisões clínicas estão balizadas por determinados objetivos que têm que ver com a gestão, que colocam entraves à prática clínica”.

“Isto quer dizer que quando trabalhamos numa lógica de serviço público, sabemos os fundos que vêm e a forma como prestamos serviço e, quando trabalhamos numa lógica de serviço privado, temos que responder a indicadores e a critérios económicos que são diferentes, e não é isso que os trabalhadores médicos pretendem, especialmente aqueles que escolheram trabalhar no Serviço Nacional de Saúde, que é o caso destes que trabalham aqui no Hospital de Santo Tirso”, acrescentou a sindicalista.

Pelo Sindicato dos Enfermeiros do Norte, Fátima Monteiro falou dos “prejuízos para os colegas que não aceitem trabalhar sob gestão privada no hospital, obrigando-os a ter de ser deslocados desta unidade para outras unidades da Unidade Local de Saúde do Médio Ave”.

“E não é só as questões dos profissionais, também é preciso perceber, nós não sabemos ainda, nesta fase, como é que vai ser feita esta transferência dos profissionais. Alguns colegas disseram-nos que eles pediram para lhes dizerem se querem ficar ou não. Como é que alguém pode optar se não sabe sequer as condições?”, questionou.

Da parte do Movimento de Utentes do Hospital de Santo Tirso, Rodrigo Azevedo falou em esperança, mostrando-se convicto de que com a queda do Governo a situação possa vir a ser revertida.

“Este Governo está em gestão e, na nossa opinião, nem sequer tem legitimidade para avançar com este processo”, afirmou o ativista que disse ter ficado mais descansado com as afirmações da ministra na reunião com o presidente da câmara sobre a data prevista para o fim do estudo.

A marcha, que reuniu cerca de 150 pessoas, decorreu entre o largo da Câmara Municipal e o largo defronte do hospital.

lusa/HN

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