IPO de Coimbra admite atribuir dia de férias a enfermeiros por cada dez anos de serviço

19 de Março 2025

O IPO de Coimbra admitiu hoje atribuir mais um dia de férias por cada dez anos de serviço aos enfermeiros com contrato individual de trabalho, caso a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) emita orientações nesse sentido.

“Tal como já foi transmitido às estruturas sindicais, caso sejam emitidas orientações nesse sentido, o IPO de Coimbra irá conceder, de imediato, o acréscimo de um dia de férias por cada 10 anos de serviço prestado aos enfermeiros com contrato de trabalho”, esclareceu a instituição, em comunicado.

Enfermeiros do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Coimbra decidiram, na terça-feira, realizar uma vigília, em frente à instituição, caso o conselho de administração não lhes atribua mais um dia de férias por cada dez anos de serviço.

No comunicado enviado à agência Lusa, o IPO de Coimbra garantiu que tem acompanhado “com a devida atenção e responsabilidade” a questão da atribuição de um dia adicional de férias aos enfermeiros com contrato de trabalho, reconhecendo “a importância do tema para estes profissionais”.

No entanto, evidenciou que o acordo coletivo de trabalho para este grupo profissional “não estabelece qualquer disposição relativamente a férias”.

“Nesse sentido, as orientações que têm sido transmitidas apontam no sentido da inexistência de enquadramento legal que permita o acréscimo de um dia de férias por cada 10 anos de serviço prestado aos enfermeiros com contrato de trabalho, motivo pelo qual este dia não tem sido atribuído por diversas entidades do SNS [Serviço Nacional de Saúde]”, justificou.

Na terça-feira, o coordenador do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) de Coimbra, Paulo Anacleto, informou que os enfermeiros do IPO de Coimbra com contrato individual de trabalho (CIT) decidiram realizar uma vigília, em frente à instituição, caso a administração do IPO não conceda a atribuição de mais um dia de férias, por cada dez anos de serviço, na reunião agendada para o dia 08 de abril.

A realização dessa vigília, em data a decidir, terá lugar entre as 10:00 às 18:00, “com entrega de um documento aos utentes, a explicar aquilo que a administração [do IPO] devia fazer e não faz”.

De acordo com Paulo Anacleto, os enfermeiros do IPO que têm CIT “detêm a mesma formação, as mesmas competências e desempenham as mesmas funções que os enfermeiros com contrato de trabalho em funções públicas (CTFP)”.

No entanto, a estes enfermeiros com CIT – cerca de metade dos 400 enfermeiros do IPO de Coimbra – “não lhes é atribuído mais um dia de férias, por cada dez anos de serviço, à semelhança do que acontece com quem tem contrato de trabalho em funções públicas”, tal como está previsto na Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas.

Segundo o sindicalista, o conselho de administração do IPO “tem a plena autonomia para atribuir esse dia de férias, por cada dez anos de serviço”, à semelhança do que “já acontece, até este momento, em 21 das 39 ULS [Unidades Locais de Saúde]”, embora o IPO não faça parte de nenhuma ULS.

“É uma profunda injustiça, aqui no IPO e nas outras [ULS] que ainda restam, não ser atribuído mais um dia de férias quando têm essa autonomia para o concretizar”, lamentou.

NR/HN/Lusa

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Alertas de produtos perigosos na UE atingem máximo histórico. Cosméticos lideram

O número de notificações de produtos perigosos no mercado europeu disparou em 2025, atingindo o valor mais alto de sempre. Foram 4.671 alertas registados no Safety Gate, o sistema de troca rápida de informações entre autoridades nacionais. O valor representa um aumento de 13% face a 2024 e mais do dobro do total de 2022. Cosméticos, brinquedos e aparelhos elétricos encabeçam a lista

Maria João Gonçalves: “Portugal devia integrar a vacina do Herpes Zoster no PNV para garantir equidade”

Quase 63 mil adultos foram diagnosticados com Herpes Zoster num ano em Portugal. Em entrevista exclusiva ao HealthNews, Maria João Gonçalves, infeciologista e Assistente Hospitalar Graduada de Infeciologia na Unidade Local de Saúde de Matosinhos, explica por que a doença afeta cada vez mais pessoas, o impacto da dor crónica e a urgência de incluir a vacina no Programa Nacional de Vacinação

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights