Diretor executivo diz que falta de tarefeiros agrava fecho de urgências nos feriados

20 de Abril 2025

O diretor executivo do SNS explicou hoje que os fechos de urgências se agravam aos fins de semana com feriados por falta de prestadores de serviço, mas garantiu que há sempre resposta para quem recorre à urgência.

Álvaro Santos Almeida visitou o Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), que tem hoje encerrado o serviço de urgência de Ginecologia e Obstetrícia, tal como os hospitais de Almada, Barreiro, Castelo Branco, Vila Franca de Xira, Aveiro e Leiria.

Em declarações aos jornalistas no final da visita, o diretor executivo afirmou que um dos problemas dos fins de semana como o da Páscoa é “uma escassez estrutural de recursos humanos, sobretudo, na região de Lisboa e Vale do Tejo”.

“Na área da obstetrícia, então, é uma característica marcada. O que acontece é que, habitualmente, as unidades para preencherem as suas escalas e garantirem a abertura recorrem a prestadores de serviços”, que estão indisponíveis, ou não têm tanta disponibilidade, para prestar serviço nos fins de semana com feriados.

Segundo Álvaro Almeida, é nessas alturas que “os problemas se fazem sentir mais, como é o caso deste fim de semana da Páscoa”.

Mas assegurou que há um ponto da rede de urgências do Serviço Nacional de Saúde que responderá a todas as solicitações: “Há sempre uma resposta para cada caso”.

Álvaro Almeida elucidou que, apesar de o serviço de urgência de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital Amadora-Sintra ter “a porta fechada” desde as 08:00, continua a funcionar.

Por volta do meio-dia, estavam seis utentes a ser observadas no serviço e a ser “devidamente acompanhadas”.

“Quando vemos no Portal do SNS que há oito ou dez urgências fechadas, não significa que o SNS está fechado. Significa apenas uma coisa: Das 168 portas de entrada que a rede de urgências do SNS tem, dez portas estão fechadas”, salientou.

Fazendo um balanço destes dois dias, Álvaro Almeida disse que a Direção Executiva tem estado a monitorizar a situação 24 horas por dia e, até agora, “não tem conhecimento de nenhum problema, nenhum constrangimento de maior”.

“Naturalmente que há casos pontuais que se vão resolvendo através da interligação e da cooperação de todos os elementos da rede do SNS e, sobretudo, graças aos esforços profissionais de saúde que têm sido excelentes neste período”, sustentou.

Questionado se poderá regulamentar-se no futuro esta prestação de serviços, o diretor executivo afirmou que o objetivo “é reforçar o quadro de médicos do SNS, em especial na área da obstetrícia”.

“Estamos a trabalhar com o Governo, com o Ministério da Saúde, para criar condições mais favoráveis ao recrutamento de pessoas para os quadros das unidades locais de saúde do país”, salientou.

Vincou que o objetivo é “substituir a mão-de-obra que, neste momento, está a ser assegurada por prestadores de serviços, por mão-de-obra do quadro das ULS”, acreditando se este resultado for conseguido o problema será minimizado.

Álvaro Almeida ressalvou que o problema das urgências não apareceu agora: “É um problema que já vem de há vários anos em toda a Europa”.

Após a visita ao Amadora-Sintra, Álvaro Santos Almeida estará, juntamente com outros elementos da DE-SNS, estará ainda hoje no Hospital das Caldas da Rainha (ULS Oeste).

Estas visitas fazem parte de um conjunto de encontros que a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde tem estado a fazer pelas ULS e IPOs de todo o país, e onde irá contactar com os profissionais de saúde dos serviços.

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