Diretor-executivo do SNS diz que caso da grávida na ambulância foi resolvido, mas com falha da utente

20 de Abril 2025

O diretor executivo do SNS afirmou hoje que o caso da grávida que esteve quase três horas numa ambulância foi corretamente resolvido, mas atribuiu à utente a responsabilidade por um pormenor que “não terá corrido tão bem”.

Álvaro Almeida comentava aos jornalistas, à margem de uma visita ao Hospital Amadora-Sintra, o caso noticiado pela TVI de uma grávida de 34 semanas, residente na Moita, que permaneceu numa ambulância quase três horas antes de ser encaminhada para a Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa.

Começando por referir que não falava de casos concretos, o diretor executivo do SNS acabou por dizer que teve conhecimento do que se passou e que “o problema foi resolvido como deveria ser”.

“Terá havido um pormenor que não terá corrido tão bem, mas isso terá sido da responsabilidade da própria pessoa”, disse Álvaro Almeida.

No dia em que o caso foi noticiado, na quinta-feira, a Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica (ANTEM) manifestou “sérias preocupações” sobre a articulação entre os hospitais do SNS e o INEM no acompanhamento dos casos urgentes de grávidas.

“A grávida permaneceu na ambulância, enquanto o CODU tentava perceber para onde poderia transportar esta senhora parturiente e os bombeiros ficaram à espera de uma decisão até às 14:20”, adiantou a associação.

Também no mesmo dia, o INEM, que não confirmou o tempo de espera de cerca de três horas, adiantou à agência Lusa que “o pedido foi recebido no CODU através do SNS24”, tendo sido acionados os Bombeiros Voluntários de Alcochete.

Já a Unidade Local de Saúde do Arco Ribeirinho (ULSAR), num comunicado enviado à Lusa, adiantou que a grávida de gémeos foi observada na quarta-feira numa consulta de alto risco obstétrico no Hospital do Barreiro e recusou ser transferida para um hospital com cuidados intensivos neonatais.

“A grávida recusou a transferência, alegando a necessidade de resolver problemas familiares no domicílio”, tendo sido informada dos riscos e assinado a “alta à sua responsabilidade e contra parecer médico”, adiantou a ULSAR.

Perante isso, e de acordo com a ULS, os profissionais de saúde aconselharam a grávida a contactar a linha SNS 24 logo que possível, “referindo o risco de grande prematuridade e a necessidade de ser encaminhada para uma unidade hospitalar com cuidados neonatais diferenciados”.

A Comissão de Trabalhadores do INEM rejeitou hoje que os seus profissionais, sejam eles médicos, enfermeiros ou técnicos, não podem continuar a ser o bode expiatório de um SNS com falhas no acesso de utentes (de risco) ao sistema, muito menos ser colocado em causa o seu profissionalismo e competências para o exercício das suas funções”.

Diz ainda que foi “sem surpresa” que assistiu a notícias que “de alguma forma responsabilizam o INEM e os seus profissionais pelo atraso no encaminhamento de utentes, neste caso em específico de uma grávida de risco”.

Para a Comissão de Trabalhadores, “este foi mais um caso em que a falta de vagas nas ULS [Unidades Locais de Saúde] atira, erradamente, a responsabilidade para o INEM”.

“E no caso em apreço, inclusive para os profissionais que desempenham funções nos CODU [Centro de Orientação de Doentes Urgentes], tais como médicos, enfermeiros e técnicos de Emergência Pré-hospitalar”, continua.

O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) também reagiu hoje “à demora de quase três horas na decisão do envio de uma grávida em estado grave para uma urgência hospitalar” e anunciou que irá endereçará duas denúncias.

Segundo o STEPH, as denuncias serão apresentadas à Inspeção Geral das Atividades em Saúde e à Entidade Reguladora da Saúde, “para de forma cabal e isenta se averigue os acontecimentos que estiveram na origem deste atraso”.

NR/HN/Lusa

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