Lisozima oral reverte envelhecimento vascular e restaura microbiota saudável, revela estudo internacional

13 de Julho 2025

Investigadores chineses demonstram que a administração oral de lisozima pode restaurar o equilíbrio da microbiota intestinal e reverter sinais de envelhecimento vascular, apontando para novas terapias não-invasivas em doenças cardiovasculares.

Um estudo publicado em maio de 2025 na revista Research revelou que a lisozima (LYZ), uma enzima natural, desempenha um papel central na inflamação dos vasos sanguíneos associada ao envelhecimento, através da sua influência sobre as bactérias intestinais. A investigação, liderada pelo Prof. Tianhao Liu e envolvendo equipas da Jiangnan University, Jiangsu Rongjun Hospital, Army Medical University, Jinfeng Laboratory, Affiliated Hospital of Jiangnan University, Wuxi Hospital (Nanjing University of Chinese Medicine) e Peking Union Medical College, demonstra que a administração oral de LYZ restaura a saúde da microbiota e reverte marcadores de envelhecimento vascular, ao passo que a administração intravenosa pode agravar estes sinais.

A equipa analisou dados públicos de humanos e ratinhos, identificando o aumento da expressão de LYZ em contextos de envelhecimento vascular. Em ratinhos geneticamente modificados sem o gene Lyz1, observaram-se sinais claros de envelhecimento vascular, como stress oxidativo, disfunção endotelial, danos no ADN, senescência e inflamação, acompanhados por uma redução de Bifidobacterium e de metabolitos benéficos no intestino. A análise transcriptómica destes animais revelou ainda uma supressão da via PI3K–Akt, fundamental para a saúde vascular.

Para testar a relação causal, os investigadores recorreram a modelos de ratinhos tratados com antibióticos e germ-free, que desenvolveram fenótipos semelhantes de envelhecimento vascular e supressão da via PI3K–Akt. A administração oral de LYZ nestes modelos restaurou o equilíbrio da microbiota e reverteu os marcadores negativos, enquanto a administração intravenosa agravou o quadro.

Segundo o Prof. Tianhao Liu, “este trabalho identifica a lisozima como marcador e modulador do envelhecimento vascular, através do seu impacto nas bactérias intestinais e na via PI3K–Akt. O facto de a administração oral, e não intravenosa, restaurar bactérias benéficas e melhorar a saúde vascular em modelos de envelhecimento sugere um caminho prático para futuras terapias”.

O estudo utilizou uma abordagem multidisciplinar, combinando análise bioinformática, modelos genéticos, avaliação da microbiota por sequenciação 16S rRNA e análise transcriptómica dos vasos sanguíneos. Os resultados sugerem que estratégias dirigidas ao intestino, como suplementos de LYZ, probióticos que potenciem Bifidobacterium ou dietas que promovam metabolitos microbianos saudáveis, poderão mitigar a inflamação vascular associada à idade. Isto abre portas a novas terapias não-invasivas para doenças como hipertensão, aterosclerose e insuficiência renal, comuns em adultos mais velhos.

O artigo completo está disponível em:
https://spj.science.org/doi/10.34133/research.0704
DOI: 10.34133/research.0704

NR/HN/Alphagalileo

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