Livre e PAN lamentam que ministra da Saúde continue em funções

23 de Julho 2025

O Livre e o PAN lamentaram hoje que a ministra da Saúde continue em funções sem assumir responsabilidades políticas pelas falhas no setor, após um relatório da inspeção-geral da saúde sobre uma morte durante a greve no INEM.

“Eu acho lamentável que depois de tantos episódios em que as falhas são claras, em que o INEM não funciona e não está a ser tratado o problema com a devida preocupação, a senhora ministra ainda continua a achar que tem condições para continuar”, respondeu a deputada do Livre Filipa Pinto aos jornalistas no parlamento.

Nas conclusões do inquérito a que a Lusa teve acesso, a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) concluiu que um utente que morreu de enfarte, em outubro, em Bragança, após o INEM demorar 1:20 a chegar, poderia ter sobrevivido se o socorro fosse imediato, mas não culpa os trabalhadores.

Lamentando esta morte, a deputada do Livre defendeu “não é apenas suficiente lamentar uma morte”, reiterando que “as responsabilidades políticas” devem ser assumidas sempre que haja mortes.

“São vários os casos e os relatos da insuficiência do sistema do INEM e que o Governo parece fazer ouvidos moucos a esta questão, o que também para nós é uma situação preocupante”, condenou.

Também a porta-voz do PAN, Inês de Sousa Real, disse “lamentar profundamente” que a ministra da Saúde “continue blindada e não tenha assumido as suas responsabilidades políticas face aos vários casos que se têm sucedido”, afirmando olhar para a situação com “muita consternação”.

“É demasiado grave o que se está a passar no INEM para que, efetivamente, não haja consequências políticas e o relatório do IGAS vem deixar isso bem claro”, considerou, apelando ainda a que o Governo concretize uma medida do PAN, aprovada no Orçamento do Estado, para reforçar o INEM com mais 400 técnicos.

Já a líder parlamentar do PCP, Paula Santos, considerou que esta situação mostra que o Governo não está a fazer o que é necessário para resolver os problemas no INEM, apelando ao reforço dos meios humanos e técnicos do instituto para assegurar o socorro e a emergência às populações, sem pedir a demissão da ministra da Saúde.

“Pode-se até mudar os ministros, mas aquilo que é preciso mesmo mudar é a política, porque, se se mudar os ministros para fazer o mesmo, os problemas vão continuar a acontecer. E, portanto, o que é mesmo necessário é, de facto, uma outra opção política”, defendeu.

Nas conclusões do inquérito a que a Lusa teve acesso, a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) diz que o utente, de 86 anos e que morreu de enfarte de miocárdio a 31 de outubro de 2024, durante a greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar, tinha uma probabilidade de sobrevivência, embora reduzida.

Esta probabilidade de sobrevivência “estaria sempre condicionada à realização de manobras de suporte básico de vida, quando iniciadas no imediato”.

O utente em causa tinha diversas comorbilidades e antecedentes de patologia cardiovascular significativa.

Apesar da falta de resposta atempada por parte do INEM, a IGAS diz que “não é possível formular-se juízos de culpabilidade na conduta dos trabalhadores dos CODU [Centro Operacional de Doentes Urgentes], atendendo ao volume de chamadas em espera, reencaminhadas pela Linha 112”.

NR/HN/Lusa

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