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No âmbito do Dia Mundial do Cancro do Pulmão, assinalado a 1 de agosto, Daniela Madama e Joana Catarata, da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, alertam para o cenário preocupante desta doença em Portugal. Em 2023, registaram-se 4490 mortes, o número mais elevado desde 2002. As especialistas atribuem este aumento ao diagnóstico tardio (70-75% dos casos são detetados em estádio avançado), tabagismo (responsável por 85% dos casos), exposição a poluentes, envelhecimento da população e falta de um programa de rastreio estruturado.
Para inverter esta tendência, as pneumologistas defendem a implementação de medidas como campanhas intensivas de prevenção e cessação tabágica, rastreio por tomografia computorizada de baixa dose (LDCT) em grupos de risco (fumadores ou ex-fumadores há menos de 15 anos, com idades entre 50 e 75 anos e carga tabágica ≥20 unidades maço-ano), e formação de profissionais de saúde para identificação precoce de sintomas.
Estudos como o National Lung Screening Trial (EUA) e o ensaio NELSON (Países Baixos-Bélgica) demonstram que o rastreio com LDCT reduz a mortalidade em 20% a 33%, com a maioria dos casos detetados em estádio inicial. Além disso, as especialistas destacam a importância de reforçar a coordenação entre Cuidados de Saúde Primários e especialidades como Pneumologia e Oncologia, com protocolos claros para agilizar diagnósticos.
A prevenção do tabagismo, especialmente entre jovens, é outra prioridade. Medidas como educação nas escolas, aumento de preços do tabaco e zonas livres de fumo são essenciais, bem como a reativação do Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo (PNPCT). “O sucesso exige um esforço coordenado entre políticas públicas, educação e intervenção clínica”, concluem as especialistas.
PR/HN



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