SiNATS a 10 anos: Balanço ambíguo na avaliação de tecnologias de saúde

25 de Julho 2025

A Análise do Professor Pedro Pita Barros, Professor da Nova School of Business and Economics, da Universidade Nova de Lisboa, sobre conferência da EXIGO revela desafios na medição do impacto do SiNATS aos 10 anos. Estudo com dados públicos mostra dificuldades em áreas como ganhos em saúde e sustentabilidade financeira.

análise do Professor Pedro Pita Barros, disponível no blog Momentos Económicos, examina a conferência da EXIGO que assinalou o 10.º aniversário do Sistema Nacional de Avaliação de Tecnologias de Saúde (SiNATS). O estudo da EXIGO, citado na análise, usou exclusivamente dados públicos para avaliar os sete objetivos do sistema, enfrentando o desafio central de construir um cenário contrafactual: o que teria acontecido sem o SiNATS?

Principais conclusões da análise por área:

  1. Ganhos em saúde: Indicadores como esperança de vida não permitem isolar o efeito do SiNATS devido a tendências históricas e fatores externos.

  2. Sustentabilidade financeira: Estabilidade no rácio despesa de medicamentos vs. despesa pública, mas eventos como o resgate financeiro (pré-SiNATS) e pandemia (pós-SiNATS) distorcem resultados.

  3. Eficiência de recursos: Tempo médio de aprovação como métrica principal, sem ajustes para volume de pedidos ou qualidade decisória.

  4. Redução de desperdício: Remoção de produtos de baixo valor, mas persistência de aprovações de tecnologias caras com benefício terapêutico limitado.

  5. Inovação: Nenhuma aceleração significativa no acesso a medicamentos inovadores.

  6. Equidade: Análise restrita ao tempo de decisão, sem avaliação de exclusão de grupos de doentes.

  7. Monitorização: Lacuna grave na avaliação pós-comercialização.

Pontos críticos do debate destacados na análise:

  • Infraestruturas de dados obsoletas impedem aproveitar o Espaço Europeu de Dados de Saúde.

  • 47% dos atrasos na aprovação atribuídos à demora das empresas na submissão de pedidos (variação: 1 semana a 2 anos após aprovação da EMA).

  • Mecanismos de pagamento por desempenho mal desenhados confundem controle orçamental com avaliação de eficácia.

  • Risco de revisões casuísticas do SiNATS movidas por pressão mediática, sem ponderação técnica.

  • Urgência em implementar avaliações em “vida real” para complementar ensaios clínicos.

Conclusão implícita:
Apesar do rigor metodológico do estudo da EXIGO, a ausência de um contrafactual robusto e a interferência de eventos externos deixam o impacto real do SiNATS indeterminado após uma década.

NR/HN/MM

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