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A análise do Professor Pedro Pita Barros, disponível no blog Momentos Económicos, examina a conferência da EXIGO que assinalou o 10.º aniversário do Sistema Nacional de Avaliação de Tecnologias de Saúde (SiNATS). O estudo da EXIGO, citado na análise, usou exclusivamente dados públicos para avaliar os sete objetivos do sistema, enfrentando o desafio central de construir um cenário contrafactual: o que teria acontecido sem o SiNATS?
Principais conclusões da análise por área:
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Ganhos em saúde: Indicadores como esperança de vida não permitem isolar o efeito do SiNATS devido a tendências históricas e fatores externos.
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Sustentabilidade financeira: Estabilidade no rácio despesa de medicamentos vs. despesa pública, mas eventos como o resgate financeiro (pré-SiNATS) e pandemia (pós-SiNATS) distorcem resultados.
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Eficiência de recursos: Tempo médio de aprovação como métrica principal, sem ajustes para volume de pedidos ou qualidade decisória.
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Redução de desperdício: Remoção de produtos de baixo valor, mas persistência de aprovações de tecnologias caras com benefício terapêutico limitado.
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Inovação: Nenhuma aceleração significativa no acesso a medicamentos inovadores.
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Equidade: Análise restrita ao tempo de decisão, sem avaliação de exclusão de grupos de doentes.
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Monitorização: Lacuna grave na avaliação pós-comercialização.
Pontos críticos do debate destacados na análise:
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Infraestruturas de dados obsoletas impedem aproveitar o Espaço Europeu de Dados de Saúde.
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47% dos atrasos na aprovação atribuídos à demora das empresas na submissão de pedidos (variação: 1 semana a 2 anos após aprovação da EMA).
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Mecanismos de pagamento por desempenho mal desenhados confundem controle orçamental com avaliação de eficácia.
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Risco de revisões casuísticas do SiNATS movidas por pressão mediática, sem ponderação técnica.
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Urgência em implementar avaliações em “vida real” para complementar ensaios clínicos.
Conclusão implícita:
Apesar do rigor metodológico do estudo da EXIGO, a ausência de um contrafactual robusto e a interferência de eventos externos deixam o impacto real do SiNATS indeterminado após uma década.
NR/HN/MM



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