Ordem dos Médicos: médicos da urgência do Amadora-Sintra em risco de abandonar serviço por sobrecarga

26 de Julho 2025

A Ordem dos Médicos alertou que a equipa da urgência geral do Hospital Amadora-Sintra está "muito sobrecarregada". Sem diálogo e medidas cautelares, os especialistas podem deixar o serviço, agravando a rutura iminente denunciada por 19 médicos.

A Ordem dos Médicos (OM) advertiu  que os médicos da urgência geral do Hospital Amadora-Sintra enfrentam uma carga de trabalho excessiva, podendo abandonar o serviço se a situação não for gerida com “muita cautela”. O alerta surge após uma reunião da delegação sul da OM com a administração da Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora-Sintra, motivada por uma carta de 19 especialistas que apontavam risco de rutura iminente.

Luís Campos Pinheiro, tesoureiro do Conselho Regional do Sul da OM, frisou que o alerta dos médicos “não pode ser ignorado” e identificou “um problema de comunicação” entre a direção e os profissionais. “Tem que falar com os médicos, ouvi-los e ser aconselhado por eles”, sublinhou, acrescentando que a equipa fixa da urgência, essencial para o hospital, está tão sobrecarregada que poderá desistir.

A OM mostrou-se disponível para mediar um diálogo “construtivo” entre as partes, ainda não alcançado, visando melhorar as condições de trabalho e assistência aos doentes. Campos Pinheiro revelou que a estratégia da administração para aliviar a urgência do Amadora-Sintra – transferir doentes não urgentes e internados em Serviço de Observação para o novo Hospital de Sintra – não foi comunicada adequadamente aos médicos, gerando desconforto. Medidas como mudanças súbitas de horários ou locais de trabalho, implementadas sem aviso, foram criticadas pela Ordem: “Não se pode trabalhar contra médicos altamente profissionalizados”.

Em resposta, o presidente da ULS Amadora-Sintra, Carlos Sá, afirmou que a colaboração da OM será “fundamental” para encontrar soluções. Num comunicado, a ULS lamentou “profundamente” tentativas de transformar questões técnicas “em alarme social”, defendendo que o foco deve ser a melhoria dos cuidados. A administração prevê ainda criar um Centro de Responsabilidade Integrada de urgência até outubro, com incentivos para contratar mais médicos.

Os especialistas contactados pela OM, segundo Campos Pinheiro, mantêm-se no serviço por sentimento de realização profissional, mas a descoordenação ameaça essa motivação.

NR/HN/Lusa

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