EMA publica primeiro relatório sobre inteligência artificial na regulação de medicamentos

27 de Julho 2025

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) publicou no dia 10 de julho o primeiro relatório anual do Observatório de Inteligência Artificial, uma nova estrutura criada no âmbito do plano de trabalho plurianual do Network Data Steering Group (NDSG). Esta rede estratégica integra peritos de toda a União Europeia e inclui a participação do Infarmed, através da EMA e do Grupo de Chefes das Agências de Medicamentos (HMA).

Este relatório marca um ponto de viragem na abordagem da Rede Europeia de Regulação de Medicamentos (EMRN) à inteligência artificial, ao compilar, pela primeira vez, as experiências acumuladas ao longo de 2024 na aplicação de soluções de IA em todo o ciclo de vida dos medicamentos. O documento cobre desde a fase de investigação e desenvolvimento até à farmacovigilância no período pós-comercialização, revelando como estas tecnologias estão a transformar os processos de regulação.

A EMA sublinha no relatório o potencial da IA para aumentar a produtividade dos sistemas regulatórios, automatizar tarefas repetitivas, apoiar a tomada de decisão baseada em dados e reforçar a capacidade da rede para responder a desafios complexos de forma mais célere e eficaz.

Em complemento ao relatório principal, foram também divulgados dois documentos de apoio: uma compilação de casos práticos de utilização de IA na regulação de medicamentos, com exemplos concretos aplicados por diferentes autoridades nacionais, e um relatório de horizon scanning. Este último identifica tendências emergentes, lacunas existentes e oportunidades para a integração da IA na atividade regulamentar, com base numa análise sistemática da literatura científica e de projetos financiados pela União Europeia.

Entre as inovações em destaque surge o “Scientific Explorer”, uma ferramenta de knowledge mining – uma área especializada da IA que permite a extração inteligente de informação a partir de grandes volumes de dados. Esta solução visa acelerar o acesso dos peritos a evidência científica e precedentes regulamentares armazenados em bases de dados complexas, permitindo decisões mais fundamentadas em menos tempo. Iniciativas semelhantes estão a ser desenvolvidas por várias autoridades nacionais, como a Agência Sueca de Produtos Médicos, com o objectivo de cruzar informações sobre produtos e identificar diretrizes relevantes para procedimentos específicos.

O relatório examina também o uso de ferramentas de IA generativa na redação de relatórios clínicos e documentação regulamentar, bem como em fases críticas de desenvolvimento e fabrico de medicamentos. Estas aplicações revelam-se promissoras para a eficiência operacional das agências reguladoras e a qualidade da informação produzida.

As conclusões do relatório integram-se no plano de trabalho plurianual do NDSG e irão contribuir para a preparação da implementação do futuro regulamento europeu de inteligência artificial – o chamado AI Act –, que definirá o enquadramento legal para a utilização destas tecnologias na União Europeia.

Notícia original aqui

Infarmed/HN

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