OMS apela à produção local de medicamentos em Moçambique para reduzir dependência externa

30 de Julho 2025

O diretor-geral da OMS defendeu a urgência de Moçambique desenvolver capacidade de produção local de medicamentos, numa altura em que África importa mais de 90% dos fármacos, durante a conferência internacional que decorre em Maputo

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, defendeu a necessidade urgente de Moçambique desenvolver capacidade de produção local de medicamentos, durante a conferência internacional sobre produção local de medicamentos e produtos de saúde que teve início em Maputo.

Durante a sua intervenção por videoconferência na Expo Internacional de Saúde de Moçambique (MIH Expo-24), Ghebreyesus destacou que os recentes surtos virais em África, incluindo casos de Ébola e Marburg, evidenciam a importância de fortalecer a capacidade de resposta do continente a emergências sanitárias.

O responsável da OMS salientou que o recém-adotado Acordo de Pandemia inclui disposições específicas para promover a produção local sustentável e geograficamente diversificada, bem como a transferência de tecnologia e conhecimento na produção de produtos de saúde relacionados com pandemias.

A situação atual do continente africano é particularmente preocupante, importando mais de 90% dos seus medicamentos e 99% das suas vacinas. Esta dependência compromete a estabilidade das cadeias de abastecimento e dificulta o alcance das metas estabelecidas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

A OMS tem intensificado os seus esforços para fortalecer a produção local, especialmente após a pandemia de covid-19. Em 2021, lançou o Programa de Transferência de Tecnologia de mRNA, com base na Cidade do Cabo, África do Sul, que agora colabora com uma rede de 15 países parceiros.

A União Africana estabeleceu como meta a produção de 60% dos medicamentos necessários no continente até 2040, uma iniciativa que conta com o apoio da OMS. Em Moçambique, o governo já iniciou trabalhos com investidores e investigadores, nacionais e estrangeiros, para desenvolver a produção local de medicamentos.

A conferência, organizada pela Autoridade Nacional Reguladora de Medicamentos (Anarme), decorre até quinta-feira no âmbito da MIH Expo-24, reunindo em Maputo especialistas internacionais, decisores políticos e inovadores do setor da saúde para partilhar conhecimentos e melhores práticas.

NR/HN/Lusa

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Joana Bordalo e Sá (FNAM): “Não há eficiência possível num serviço cronicamente asfixiado”

Em entrevista exclusiva ao Healthnews, Joana Bordalo e Sá, Presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), traça um retrato severo do estado do Serviço Nacional de Saúde. A líder sindical acusa o governo de Luís Montenegro de negar a realidade de um “subfinanciamento estrutural” e de uma “má governação” que asfixiam o SNS. Garante que a FNAM não abdicará da luta, integrando a Greve Geral de 11 de dezembro, e exige um pacto fundamental que garanta um serviço público, universal e com condições para os profissionais

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights