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Desde o início do ano, África registou 205.029 casos de cólera, face aos 254.075 contabilizados em todo o ano de 2024 e aos 224.900 em 2023, segundo dados do Centro para o Controlo e Prevenção de Doenças de África (CDC África).
“É claro que este ano superaremos os números anteriores. A taxa de mortalidade também é alta: 2,1% em 2025, contra 1,9% em 2024, muito acima do 1% recomendado pela Organização Mundial da Saúde”, indicou o chefe da Equipa de Apoio à Gestão de Incidentes, Ngashi Ngongo, do CDC África, numa conferência de imprensa ‘online’.
A entidade de saúde africana confirmou que o Chade e a República Popular do Congo se juntaram à lista de países com surtos ativos e sublinharam a necessidade de avançar na implementação do Plano Continental de Resposta à Cólera, que será lançado no próximo mês de agosto.
Na República Popular do Congo, até 26 de julho, foram reportados 124 casos suspeitos, dois confirmados em laboratório e 20 mortes, o que representa uma taxa de letalidade de 16%, onde 50% dos casos correspondem a homens, e 35% a menores de 20 anos.
A maioria dos casos concentra-se no norte do país, perto do rio Congo e da fronteira com a República Democrática do Congo (RDCongo), nação vizinha de Angola.
As autoridades citam a contaminação da água e as deficiências no saneamento como fatores chave do surto.
No Chade, até 25 de julho, foram contabilizados 49 casos suspeitos e dois confirmados em laboratório, com uma taxa de mortalidade de 8%, onde 55% dos casos são mulheres e 67% têm menos de 21 anos.
A maioria dos contágios concentra-se num acampamento de pessoas deslocadas em Dugui, na fronteira com o Sudão, e os CDC África assinalaram que a sobrecarga do sistema sanitário e as condições inadequadas das instalações são os principais responsáveis pelo surto.
Por sua vez, a RDCongo reportou 2.121 casos durante esta semana, face aos 1.820 da semana anterior, registaram-se 95 mortes e 82% dos seus contágios das últimas três semanas provêm de cinco províncias, entre elas Tshopo (norte).
As causas principais incluem a infraestrutura sanitária deficiente, a propagação transfronteiriça e inundações e contaminação da água em Kivu do Sul (leste) e Tanganica (sudoeste).
Embora haja campanhas de vacinação nas zonas afetadas, a RDCongo acumulou este ano 1.102 mortes por cólera.
No total, 23 países africanos, nomeadamente os lusófonos Angola e Moçambique, reportam casos da doença diarreica aguda causada pela ingestão de alimentos ou água contaminados com a bactéria ‘Vibrio cholerae’, que se associa principalmente a saneamento deficiente e a um acesso limitado a água potável.
Embora se trate de uma doença tratável que afeta tanto crianças como adultos, pode tornar-se letal se não for atendida a tempo.
lusa/HN



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