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A Síndrome do Intestino Curto (SIC) afeta cerca de 20 em cada milhão de crianças em Portugal, revelou Helena Ferreira Mansilha, pediatra e coordenadora da Unidade de Nutrição do Serviço de Pediatria do Centro Materno Infantil do Norte. Esta condição clínica, que resulta da remoção cirúrgica de grande parte do intestino delgado e, por vezes, do cólon, representa a forma mais comum de Falência Intestinal Crónica.
Jorge Fonseca, gastrenterologista da Equipa de Falência Intestinal do Hospital Garcia de Orta e professor da Egas Moniz School of Health & Science, destaca que os doentes portugueses ainda não têm acesso ao mesmo nível de apoio e qualidade de vida que os seus homólogos europeus. O especialista defende a necessidade urgente de reconhecimento e apoio aos centros de excelência, bem como maior formação dos profissionais de saúde, especialmente médicos de família.
No caso das crianças, o tratamento envolve nutrição parentérica domiciliária, com perfusões intravenosas diárias de 10 a 12 horas, exigindo uma logística complexa e aprendizagem específica por parte das famílias. A pediatra Helena Ferreira Mansilha enfatiza que o acompanhamento deve ser personalizado e realizado por uma equipa multidisciplinar experiente, sendo crucial uma transição adequada para os cuidados de adultos entre os 14 e 16 anos.
A gestão da doença em adultos enfrenta desafios adicionais em Portugal. Apesar da existência de equipas multidisciplinares especializadas em alguns hospitais, a referenciação dos doentes para estes centros ainda não acontece com a regularidade necessária, alerta Jorge Fonseca. O especialista sublinha que o acompanhamento por uma equipa experiente melhora significativamente o prognóstico e a qualidade de vida dos doentes e das suas famílias.
PR/HN



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