MSF suspende operações no Sudão do Sul após sequestro de colaborador

6 de Agosto 2025

A organização Médicos Sem Fronteiras suspendeu as suas atividades nos condados de Yei River e Morobo, no Sudão do Sul, após o sequestro de um funcionário. A suspensão durará pelo menos seis semanas

Os Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciaram a suspensão total das suas atividades nos condados de Yei River e Morobo, na região de Equatória Central, Sudão do Sul, após o sequestro de um dos seus funcionários durante uma operação de retirada de pessoal entre as duas localidades. Embora o colaborador tenha sido libertado algumas horas depois, o incidente levou a organização a interromper as suas operações por um período mínimo de seis semanas.

O episódio surge num contexto de crescente insegurança na região, tendo ocorrido apenas quatro dias após outro incidente similar, no qual um funcionário do Ministério da Saúde foi sequestrado enquanto viajava numa ambulância dos MSF na mesma área.

Ferdinand Atte, chefe de missão da MSF no Sudão do Sul, classificou o acontecimento como um “ataque deliberado ultrajante” e estabeleceu condições específicas para o regresso da organização ao terreno, incluindo garantias concretas de todas as partes envolvidas no conflito e a garantia de acesso seguro às populações necessitadas.

A situação é particularmente preocupante dado que nos últimos três meses registaram-se sete incidentes de sequestro de trabalhadores humanitários, além de ataques a instalações de saúde que foram incendiadas, saqueadas ou danificadas.

A suspensão das atividades terá um impacto significativo nas comunidades locais, que vivem em áreas remotas e dependem fortemente do apoio humanitário para aceder a cuidados de saúde. Os MSF mantinham uma presença crucial na região, apoiando quatro unidades do Ministério da Saúde com serviços de consultas ambulatórias, programas de vacinação e cuidados materno-infantis.

Esta não é a primeira vez que a organização se vê forçada a reduzir a sua presença na região. Em maio, já tinha havido uma redução das atividades em Yei River e uma suspensão das operações nos campos de deslocados internos em Morobo, também devido a questões de segurança.

NR/HN/Lusa

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