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Portugal deu um passo significativo no diagnóstico da Diarreia dos Ácidos Biliares (DAB) com a realização do primeiro exame utilizando uma tecnologia inovadora da GE HealthCare no Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal. Esta condição, que resulta da passagem excessiva de ácidos biliares do intestino delgado para o cólon, tem sido historicamente subdiagnosticada, afetando até 1% da população geral e até 50% dos doentes com diarreia crónica.
Madalena Pestana, gastroenterologista no Hospital Dr. Nélio Mendonça, destaca que a condição tem levado a um consumo excessivo e frequentemente ineficaz de recursos de saúde, incluindo consultas médicas, exames complementares e tratamentos empíricos que raramente proporcionam benefício clínico real.
O novo método diagnóstico, disponível tanto para hospitais públicos como privados, apresenta-se como uma alternativa aos métodos tradicionais de diagnóstico por exclusão. Patrícia Gouveia, especialista em Medicina Nuclear no mesmo hospital, enfatiza que o exame permite uma avaliação quantitativa direta da retenção de ácidos biliares, sendo minimamente invasivo e bem tolerado pelos doentes.
Uma das principais vantagens desta inovação é a possibilidade de classificar a DAB em diferentes níveis de gravidade – ligeira, moderada ou grave – permitindo uma abordagem terapêutica mais precisa e personalizada. Esta capacidade de estratificação representa um avanço significativo na gestão da doença.
O novo método promete reduzir significativamente o número de consultas desnecessárias e exames complementares ineficazes, proporcionando simultaneamente um diagnóstico mais rápido e preciso. Para os doentes, isto significa não apenas um diagnóstico mais célere, mas também o início mais precoce de um tratamento eficaz.
Na perspetiva dos profissionais de saúde envolvidos, o próximo passo será a implementação mais alargada desta tecnologia, através da formação adequada dos profissionais de saúde e do desenvolvimento de protocolos clínicos específicos que integrem este teste no diagnóstico de diarreia crónica inexplicada.
PR/HN



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