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A identificação de novas drogas sintéticas tornou-se um desafio sem precedentes para as autoridades, com o surgimento diário de novas substâncias que ultrapassam a capacidade de detecção dos sistemas atuais. Ricardo Dinis Oliveira, professor catedrático no Instituto Universitário de Ciências da Saúde da CESPU, destaca que o panorama mudou drasticamente nas últimas décadas, passando de quatro grupos principais de substâncias para uma proliferação incontrolável de variantes.
O especialista aponta os Açores e a Madeira como regiões particularmente afetadas, onde a catinona tem ganho terreno. Esta substância, frequentemente misturada com outros compostos, produz efeitos devastadores no sistema nervoso dos consumidores.
A origem destas substâncias está principalmente localizada na China e Índia, países com elevada capacidade de síntese química. O toxicologista enfatiza que a criminalização isolada não resolve o problema, pois cada substância proibida é rapidamente substituída por variantes modificadas, muitas vezes mais potentes e perigosas.
Como solução, Dinis Oliveira propõe o desenvolvimento de uma rede de laboratórios clínicos e forenses para diagnóstico rápido, bem como a implementação de programas de prevenção nas escolas, seguindo o modelo já em prática no Porto.
Nos Açores, o tema tem gerado debate político, com o Governo Regional a defender a criminalização e a criar uma task-force específica, enquanto a oposição socialista enfatiza a necessidade de prevenção escolar e respostas terapêuticas.
NR/HN/Lusa



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