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A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) finalizou a investigação a oito das 12 mortes registadas durante as greves dos técnicos de emergência pré-hospitalar do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), que decorreram em outubro e novembro de 2024. Em dois dos casos analisados, a IGAS estabeleceu uma relação entre os óbitos e os atrasos verificados na prestação de socorro.
No caso de um idoso de 86 anos, falecido em Bragança a 31 de outubro, o relatório indica que, apesar das várias comorbilidades e antecedentes de patologia cardiovascular significativa, existia uma probabilidade de sobrevivência se o socorro tivesse sido imediato. O INEM demorou uma hora e vinte minutos a chegar ao local.
O segundo caso com desfecho potencialmente evitável ocorreu em Pombal, a 4 de novembro, envolvendo um homem de 53 anos. A IGAS concluiu que a morte poderia ter sido evitada caso o socorro tivesse permitido o transporte atempado da vítima para realização de angioplastia coronária. Este caso resultou na recomendação de procedimento disciplinar para uma técnica de emergência pré-hospitalar e na reavaliação da prestação de serviços de um médico.
Nos restantes seis casos analisados, que incluem ocorrências em Almada, Tondela, Castelo de Vide, Vila Real de Santo António, Vendas Novas e novamente Pombal, a IGAS não estabeleceu nexo de causalidade entre os atrasos no socorro e os óbitos. Em alguns destes casos, os relatórios apontam para situações clínicas graves com prognóstico muito reservado, independentemente da rapidez do socorro.
As greves dos técnicos de emergência pré-hospitalar do INEM, que decorreram durante o outono de 2024, provocaram constrangimentos significativos no atendimento e resposta às chamadas de emergência, com impacto nos tempos de espera e disponibilidade de meios de socorro.
NR/HN/Lusa0



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